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A Estónia quer privar a sua minoria russa do direito de voto nas eleições locais

O assunto está em discussão há mais de um ano e meio na Estónia. Na quinta-feira, 7 de Novembro, os deputados maioritários apresentaram perante o Riigikogu (Parlamento) um projecto de alteração à Constituição que visa proibir os cidadãos russos e bielorrussos titulares de uma autorização de residência permanente na Estónia do direito de voto nas eleições locais. Uma medida que suscita muita polémica, num país de 1,3 milhões de habitantes onde os falantes de russo representam 31% da população. Este rótulo inclui cidadãos russos, bielorrussos, ucranianos, estonianos com raízes russas, bem como apátridas.

Na sua carta de intenções, os deputados da coligação – composta pelo Partido Reformista e Estónia 200, dois grupos liberais, bem como pelos sociais-democratas – explicam que querem reservar o direito de voto “aos cidadãos de países que partilham valores democráticos e interesses de segurança comuns com a Estónia, bem como aos apátridas residentes na Estónia, que não têm lealdade ou outras obrigações para com outro país”. Mesmo que o texto não o especifique, visa principalmente cidadãos russos e bielorrussos.

Atualmente, cerca de 83.500 cidadãos russos residem no pequeno estado báltico. Alguns chegaram há décadas. Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em Fevereiro de 2022, a sua lealdade tem sido questionada e são cada vez mais vistos como um risco para a segurança nacional.

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Num artigo publicado no site do canal EER em 4 de novembro, o deputado Peeter Tali (Estónia 200) observa que “75% dos cidadãos russos que votaram na Estónia (durante as eleições presidenciais russas em março) votei em Putin, um ditador procurado internacionalmente por crimes de guerra ». No entanto, ele se esquece de mencionar que apenas 2.539 pessoas foram à embaixada russa em Tallinn para colocar uma cédula na urna.

Reviravolta dos social-democratas

A reforma constitucional proposta diz respeito não apenas aos russos e bielorrussos, mas a todos os estrangeiros. Com três exceções: cidadãos dos países membros da União Europeia (UE), dos Estados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), bem como apátridas, um grupo cuja inclusão na lei foi objecto de duras negociações entre parceiros da coligação.

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