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A morte de David Lynch, gênio do cinema independente americano e diretor cativante e misterioso

O cineasta David Lynch, em sua casa em Los Angeles, 14 de março de 2002.

Antes de tudo, uma lembrança, como uma queimadura, a do início de Marinheiro e Lula (1990), seu quinto longa-metragem. Um fósforo em close-up acende para desencadear um enorme incêndio que se estende por toda a superfície do quadro Cinemascope, uma abertura inesquecível para um road movie frenético que em si nada mais era do que um tremendo incêndio. Trinta e cinco anos depois, foi tendo como pano de fundo outra conflagração que, na quinta-feira, 16 de janeiro, a morte repentina de seu diretor David Lynch aos 78 anosexpulso de sua casa em Laurel Canyon pelas chamas que assolam a área de Los Angeles há vários dias. Sabíamos desde novembro de 2024 que o cineasta sofria de enfisema pulmonar, herdado de longos anos de tabagismo ininterrupto, uma obstrução das vias respiratórias que acabou por dominá-lo.

A perda é imensa. Na hierarquia do cinema independente americano moderno, não há muitos na categoria de gênios. Com certeza, John Cassavetes, Monte Hellman, David Lynch. Todo mundo brincou com fogo, todo mundo se queimou. Neste sentido, a abertura de Marinheiro e Lula responde diretamente à icônica cena final de Macadame de duas pistas de Hellman, em cujas chamas a utopia americana é consumida ao mesmo tempo que o filme.

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