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“Apesar dos meus quarenta anos de carreira, foi um choque”

O hospital de campanha, instalado pelo elemento de intervenção médica rápida da segurança civil no estádio de futebol Mamoudzou.

Quando chegamos a Mayotte, no dia 30 de dezembro, vi apenas pessoas abatidas. Todos os habitantes que conheci andavam como autômatos. O trauma ainda estava muito presente.

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Apesar da minha carreira de quarenta anos, foi um choque. Já interviei em locais de inúmeras catástrofes naturais, e Mayotte, eu já sabia, porque, em 2021, tinha sido chamado para intervir ali em plena crise devido à Covid-19. Guardei a memória de uma população sorridente e muito alegre, mesmo num período difícil e incerto. Desta vez os sorrisos desapareceram. Tenho visto muitas crianças que ficaram mudas desde a passagem do ciclone.

Nestes casos, para aguentar, não há outra opção senão investir 100% no nosso hospital de campanha, instalado pela Escrim (Elemento de segurança civil de intervenção médica rápida) no estádio de futebol Mamoudzou. É uma estrutura totalmente autónoma, até para água, sanitários ou alimentação. Comemos rações de combate. É preciso imaginar cerca de trinta tendas organizadas em salas de tratamento, com duas salas de cirurgia, uma sala de reanimação e 90 pessoas trabalhando.

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