
Metade dos residentes de Havana voltaram a ter eletricidade, informou na segunda-feira, 21 de outubro, a empresa energética da capital cubana, quatro dias depois de um colapso da rede que causou um apagão quase total em todo o país.
“Neste momento, existem 172 circuitos em serviço, o que representa 317 megawatts”disse a companhia elétrica de Havana em um relatório publicado pelo portal público de notícias Cubadebate, acrescentando que isso representa “cerca de 50% dos clientes”.
Vítima de um corte de energia quase total, que o governo só havia prometido resolver até esta noite, Cuba sofreu a chegada do furacão Oscar, que atingiu domingo, 20 de outubro, no leste da ilha. O fenômeno meteorológico, com ventos próximos a 130 quilômetros por hora, foi rebaixado durante a noite de domingo para segunda-feira para uma tempestade tropical pelo American Hurricane Center.
Ondas atingiram até 4 metros de altura na orla marítima. Telhados e paredes de casas foram danificados e postes de eletricidade e árvores caíram, informou a televisão estatal.
Oscar atinge Cuba no meio de uma crise energética, a ilha já passou três noites sem energia devido a uma avaria ocorrida sexta-feira na principal central termoeléctrica, que levou ao encerramento total da rede.
Moradores na rua
O presidente cubano, Miguel Diaz-Canel, alertou no domingo que seu governo não toleraria perturbações da ordem pública na ilha devido à situação. Vestido com uniforme militar, Díaz-Canel disse durante o telejornal que os moradores saíram na noite de sábado para tentar “provocando perturbações à ordem pública”. Todos os perpetradores de problemas serão processados “com a severidade que as leis revolucionárias proporcionam”ele proclamou. O presidente disse que muitas dessas pessoas estavam agindo “sob a direção dos operadores da contrarrevolução cubana do exterior”.
Na noite de domingo, moradores saíram às ruas de vários bairros de Havana para expressar o seu descontentamento, segundo fotógrafos da Agência France-Presse. Dezenas de pessoas, inclusive mulheres com crianças nos braços, saíram com panelas e frigideiras no bairro Santo Suarez, gritando “Acender a luz”. Barricadas de resíduos também foram erguidas no bairro Centro.
Em seu discurso, o presidente Díaz-Canel reconheceu que a situação do sistema elétrico permanecia “complexo”marcado por um forte “instabilidade”. No início do dia, o Ministro da Energia, Vicente de la O Levy, disse: “Podemos dizer que entre amanhã segunda-feira de manhã, tarde ou noite”o serviço será restaurado para a maioria dos cubanos.
Algumas centenas de milhares de residentes puderam beneficiar de algumas horas de energia no domingo, antes de todo o sistema eléctrico ficar novamente paralisado, segundo a empresa nacional de electricidade, UNE. As autoridades suspenderam as aulas e atividades profissionais essenciais até quarta-feira, mantendo-se apenas operacionais os hospitais e serviços essenciais à população.
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Cuba enfrenta a sua pior crise em trinta anos. O gigantesco corte de energia, que se segue a apagões crónicos, agrava a escassez de alimentos, medicamentos e uma inflação galopante.
“Emergência energética”
Quinta-feira, às vésperas do apagão geral, o presidente cubano anunciou que a ilha se encontrava em situação de“emergência energética” enfrentou dificuldades na aquisição do combustível necessário para alimentar as suas centrais, devido ao reforço do embargo imposto por Washington desde 1962.
Em Cuba, a electricidade é produzida por oito centrais termoeléctricas em ruínas, por vezes avariadas ou em manutenção, bem como por várias centrais flutuantes – que o governo aluga a empresas turcas – e geradores.
Os cortes de energia foram um dos gatilhos dos protestos históricos de 11 de julho de 2021. Em setembro de 2022, a ilha já tinha sofrido um apagão generalizado após a passagem do furacão Ian, que atingiu o oeste da ilha. O restabelecimento completo da eletricidade levou vários dias na capital e várias semanas em toda a ilha.
O mundo com AFP
