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China aprova projeto de barragem gigante no Tibete

Uma vista aérea de uma seção do rio Yarlung Tsangpo em 13 de maio de 2023, no distrito de Medog, Nyingchi, Região Autônoma do Tibete, China.

No alto do planalto tibetano, onde o rio Brahmaputra ainda se chama Yarlung Tsangpo, a China pretende construir uma barragem imponente e complexa, possivelmente a mais poderosa do planeta. A agência de notícias Xinhua anunciou, quarta-feira, 25 de dezembro, a aprovação governamental deste projeto, que vem sendo discutido há vários anos, mais um passo na corrida chinesa para construir reservatórios hidrelétricos no topo dos grandes rios da Ásia.

A Power Construction Corporation of China estimou em 2020 que esta estrutura, a barragem de Motuo, poderia ter uma capacidade de 60 gigawatts, ou o triplo da barragem das Três Gargantas, actualmente a maior do mundo. “Esta é uma contribuição importante para a transição da China para uma energia verde e de baixo carbono”argumentou a agência oficial na quarta-feira.

O rio nasce na Região Autônoma do Tibete, que atravessa de oeste para leste. Forma o desfiladeiro mais profundo do mundo, daí o interesse da China na sua pressão hidráulica, especialmente num troço onde perde 2.000 metros de altitude numa distância de apenas 50 quilómetros. É lá, enquanto o rio faz uma grande curva, que engenheiros chineses cavam túneis com cerca de vinte quilômetros de extensão através de uma montanha, o pico do Himalaia Namcha Barwa, com 7.782 metros de altura, para desviar metade da corrente em direção às turbinas e encontrar o curso mais baixo. O rio, o mais alto do mundo, desagua então na Índia, no estado de Arunachal Pradesh, área disputada entre Pequim e Deli, antes de cruzar Assam e chegar a Bangladesh.

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