
No alto do planalto tibetano, onde o rio Brahmaputra ainda se chama Yarlung Tsangpo, a China pretende construir uma barragem imponente e complexa, possivelmente a mais poderosa do planeta. A agência de notícias Xinhua anunciou, quarta-feira, 25 de dezembro, a aprovação governamental deste projeto, que vem sendo discutido há vários anos, mais um passo na corrida chinesa para construir reservatórios hidrelétricos no topo dos grandes rios da Ásia.
A Power Construction Corporation of China estimou em 2020 que esta estrutura, a barragem de Motuo, poderia ter uma capacidade de 60 gigawatts, ou o triplo da barragem das Três Gargantas, actualmente a maior do mundo. “Esta é uma contribuição importante para a transição da China para uma energia verde e de baixo carbono”argumentou a agência oficial na quarta-feira.
O rio nasce na Região Autônoma do Tibete, que atravessa de oeste para leste. Forma o desfiladeiro mais profundo do mundo, daí o interesse da China na sua pressão hidráulica, especialmente num troço onde perde 2.000 metros de altitude numa distância de apenas 50 quilómetros. É lá, enquanto o rio faz uma grande curva, que engenheiros chineses cavam túneis com cerca de vinte quilômetros de extensão através de uma montanha, o pico do Himalaia Namcha Barwa, com 7.782 metros de altura, para desviar metade da corrente em direção às turbinas e encontrar o curso mais baixo. O rio, o mais alto do mundo, desagua então na Índia, no estado de Arunachal Pradesh, área disputada entre Pequim e Deli, antes de cruzar Assam e chegar a Bangladesh.
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