Este é um exemplo entre muitos dos laços muito estreitos que existem entre crises ambientais, sanitárias, sociais e económicas. Em certos condados dos Estados Unidos, uma doença causada por um fungo causou, a partir de 2006, o colapso maciço das populações de morcegos insectívoros. Estes desempenham um papel na regulação dos predadores; na sua ausência, a produção agrícola e o rendimento diminuem e a utilização de insecticidas aumenta rapidamente. O aumento da utilização de produtos fitossanitários, por sua vez, leva a um aumento notável da mortalidade infantil. Um estudo, publicado em setembro na revista Ciênciadescreve esses fenômenos com precisão.
Estas relações entre as diferentes ameaças que pesam sobre o planeta estão no cerne da nova avaliação da Plataforma Intergovernamental Científica e Política sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistémicos (IPBES), o “IPCC da biodiversidade”. Fruto do trabalho de 165 especialistas de 57 países mobilizados ao longo de três anos, analisa as ligações entre biodiversidade, água, alimentação, saúde e alterações climáticas – os cinco elementos daquilo que a IPBES chama de “nexo” –, e oferece opções para responder conjuntamente a estes diferentes assuntos, até agora tratados com demasiada frequência separadamente. O seu “resumo para os decisores” de cerca de sessenta páginas, publicado terça-feira, 17 de Dezembro, e contendo uma série de mensagens-chave, foi aprovado por representantes de 147 estados durante uma reunião plenária em Windhoek, Namíbia.
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