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crônica de quinze anos de cegueira

E se tudo tivesse sido escrito há – pelo menos – quinze anos? Todos. Um comércio de drogas em expansão, com notícias minuciosamente examinadas e tendências antecipadas; repetidas advertências dirigidas às autoridades públicas sobre o aumento irresistível do crime organizado até a iminência de “ponto de inflexão” mencionado por Bruno Retailleau, em 1é novembro. E se este ponto de inflexão tivesse sido alcançado há anos?

O mundo pôde consultar dezenas de documentos do serviço de informação, inteligência e análise estratégica do crime organizado (Sirasco), da gendarmaria, do Gabinete Antinarcóticos (Ofast), centenas de páginas, na maioria das vezes confidenciais que perspectivam, desde 2009, as ameaças da máfia que pesam sobre a sociedade. Que também traçam a consciência tardia das autoridades até ao doloroso despertar, no barulho mortal das rajadas de armas automáticas batendo ao pé das grades dos edifícios, nas ruas das cidades médias, nas estradas rurais: mais de 300 assassinatos e atentados ligados ao tráfico de drogas foram registrados em 2023. “Essa onda de violência criminosa contribuiu para levantar o assuntoconfirma a comissária divisionária Annabelle Vandendriessche, chefe da Sirasco. É através deste prisma que se tem sensibilizado ao mais alto nível do Estado para todos os outros fenómenos criminais, desde a corrupção até à digitalização do crime. »

A culpa não é dos serviços especializados por terem aumentado o número de alertas. Este é o objetivo do Sirasco, criado em 2009 por iniciativa de Frédéric Veaux, então vice-diretor responsável pela luta contra o crime organizado. O futuro diretor-geral da Polícia Nacional (de 2020 a 2024) está então convencido da necessidade de dotar finalmente a Polícia Judiciária (PJ) de instrumentos de análise eficazes para esquadrinhar as metamorfoses do “crimorg”, o crime organizado. Os começos são modestos.

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