Setecentos e trinta e cinco sem-abrigo morreram em França em 2023, um número de magnitude sem precedentes, anunciou quarta-feira, 30 de outubro, o Collectif Les Morts de la rue, denunciando o“indiferença” a que esta parte da população está sujeita.
Este colectivo, que realiza este censo desde 2012, aponta para uma “número nunca tão alto” da morte, acima em comparação com 2022onde 624 pessoas morreram nas ruas. Mesmo que, observa ele, esses dados devam ser interpretados “com cautela”, “uma proporção significativa de mortes” escapando do estudo.
É difícil saber com precisão o número de sem-abrigo em França: seriam cerca de 330 mil, segundo a Fundação Abbé Pierrequando o último balanço oficial do Instituto Nacional de Estatística e Estudos Económicos (Insee), em 2012, estimou o seu número em 143 mil. Para 2023, o coletivo identificou 735 sem-abrigo mortos; um total que sobe para 826 se incluirmos pessoas que já não estavam nesta situação, mas que estavam nas suas vidas.
Idade média de 49 anos
O coletivo alerta para os anos de vida perdidos devido à situação de sem-abrigo: a idade média de morte das pessoas listadas ronda os 49 anos, ou seja, quase trinta anos mais jovem que a população em geral. Dizem respeito principalmente aos homens (86%), embora a proporção de mulheres tenha aumentado em comparação com anos anteriores.
Quase um terço das mortes ocorre em espaços públicos (32%), em locais de cuidados (30%), um aumento em relação aos anos anteriores, revelando “uma dificuldade” acesso “para cuidar ou ser cuidado no final da vida”. Cerca de 22% são devidos a causas externas, como acidentes de transporte (5%) ou mesmo agressões (5%), enquanto menos de 1% estão ligados ao consumo de álcool ou drogas.
O colectivo critica diversas medidas públicas que penalizam os sem-abrigo, como a lei contra a ocupação ilegal de habitação ou mesmo decretos provinciais proibindo a distribuição de alimentos em certos bairros de Paris ou Calais.
O mundo com AFP
