
O dia 5 de novembro de 1913 deu origem a uma grande celebração em Los Angeles. Mais de 30.000 moradores correram para o Vale de San Fernando para testemunhar, ao vivo, a chegada da água do leste de Sierra Nevada. A cidade inaugurou o aqueduto que traria água do rio Owens, após um percurso de 230 quilômetros escavado por 100 mil homens através de cânions e desertos. A multidão elogiou William Mulholland, autor de tal feito tecnológico, como um triunfo. Hoje, a Mulholland Drive, a lendária avenida que leva o nome do engenheiro, está isolada pelas chamas.
As décadas seguintes mostraram o custo desta apropriação indébita da natureza. O Lago Owens secou, liberando poeira tóxica; nenhuma vegetação mais se opunha aos ventos. Mas, graças à água, Los Angeles tornou-se uma megalópole tão vasta como a Bélgica, na vanguarda da «cultura automóvel»hedonismo, sonho cinematográfico e, politicamente, da revolução conservadora. Antes de Ronald Reagan, Presidente dos Estados Unidos de 1981 a 1989, o crítico fiscal Howard Jarvis lançou a revolta dos contribuintes em 1978 contra a despesa pública e o papel do Estado. Uma filosofia cujo legado a Califórnia está pagando hoje.
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