
FRANÇA 4 – SÁBADO, 11 DE JANEIRO ÀS 21h – FILME
Começa como o Velho Oeste, em uma pradaria verde e ensolarada, com cowboys, cavalos, rodeio, música country, garotas dançando e sorrindo. Mas estamos algures numa França rodeada de montanhas, no início da década de 1990, num encontro de fãs do mito americano das origens.
Partindo da nostalgia de um modelo desaparecido, a ação caminha, como que logicamente, para o desaparecimento repentino de um personagem. Alain (François Damiens) e sua esposa, Nicole (Agathe Dronne), não conseguem mais encontrar a filha, Kelly, uma adolescente que o espectador viu dançando com o pai alguns segundos antes. Este último passará o resto da sua existência à procura dela pelo vasto mundo, sacrificando a sua vida ao mesmo tempo que a juventude do seu filho, Kid, que leva consigo.
Este é o ato inaugural do primeiro longa-metragem de Thomas Bidegain, que será, consequentemente, um filme de busca. Busca pela jovem, busca por uma integridade familiar perdida e uma identidade agora comprometida: Kelly fugiu, por sua própria vontade, com um jovem islâmico chamado Ahmed, comprometido com o caminho da jihad internacional.
Um contra-emprego arriscado
Numa viagem de cerca de quinze anos, Os vaqueiros desdobra-se, não sem elipses, em duas partes. O primeiro é atribuído ao pai. Com um François Damiens num contra-emprego no mínimo arriscado, estética e politicamente, que parece querer tender para Charles Bronson d’Um vigilante na cidade. É o tempo da raiva, do confronto brutal, do choque de culturas e civilizações.
A segunda parte, dada a partir do ponto de vista de um filho que finalmente conquista seu status de personagem, leva a história para o lado da redenção e da parábola, progredindo, correndo o risco da implausibilidade, segundo a lei do desgrenhado mais romântico. . Descobrimos o Paquistão como uma planície do Extremo Oeste, a irrupção do ator americano John C. Reilly como pagador de resgate e caçador de recompensas providencial, e também uma troca simbólica de mulheres que quebra o ciclo de vingança e toma nota da heterogeneidade do mundo…
Tudo isso filmado em grande escala, sob os signos do picaresco, do exótico e da aventura. Uma história sobre a impureza do mundo contemporâneo, com um Ocidente agora danificado na sua integridade e na sua carne, contada sob a estrela da sorte do Ocidente. Neste caso, o maior de todos: O Prisioneiro do Deserto (1956), de John Ford, em que John Wayne interpreta um soldado sulista que retorna da Guerra Civil, que embarca em uma longa busca para encontrar sua sobrinha, sequestrada pelos Comanches.
Os vaqueirosfilme de Thomas Bidegain (fr., 2015, 114 min). Com François Damiens, Finnegan Oldfield, Agathe Dronne. Transmitido na França 4 e disponível em replay em France.tv até 18 de janeiro.
