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Governo em risco enquanto PM força orçamento – DW – 12/02/2024

Francês O primeiro-ministro Michel Barnier na segunda-feira prometeu aprovar um orçamento no parlamento nacionaluma medida que a oposição disse que desencadearia um voto de confiança contra o seu governo minoritário.

Depois de não conseguir obter o apoio da oposição de extrema direita com uma concessão de última hora, Barnier disse que usaria o artigo 49.3 da Constituição francesa para forçar a aprovação dos planos sem votação.

Barnier disse à Câmara que “a França precisa de um orçamento” para 2025 – com o tempo agora muito curto – e instou os legisladores a não apoiarem a provável votação subsequente contra o seu governo.

“Estamos num momento da verdade”, disse Barnier ao Parlamento, ao colocar o destino do seu governo nas suas mãos. “Os franceses não nos perdoarão por colocarmos os interesses dos indivíduos acima do futuro do país.”

Le Pen diz que RN apresentará voto de confiança em resposta

O partido de extrema-direita Reunião Nacional (RN) de Marine Le Pen e o bloco de esquerda anteriormente liderado por Jean-Luc Mélenchon já tinham avisado Barnier que neste caso iriam procurar um voto de confiança no seu governo.

A líder do RN, Marine Le Pen, disse depois que Barnier “não desejava responder ao pedido dos 11 milhões de eleitores do Rally Nacional”.

O grupo RN de Le Pen poderia combinar-se com a oposição de esquerda para derrubar o governo, mas também não concordam com os planos de gastos para 2025Image: STEPHANE DE SAKUTIN/AFP

“Ele disse que todos assumirão as suas responsabilidades, por isso assumiremos as nossas”, disse Le Pen. “Estamos apresentando uma moção de censura e votaremos para censurar o governo.”

Mathilde Panot, da extrema-esquerda France Unbowed (Imagem: Reprodução)La France Insoumise, LFI) O grupo parlamentar – o segundo maior na Câmara depois do RN – disse da mesma forma que o seu partido tentaria derrubar o governo de Barnier “confrontado com esta enésima negação da democracia”.

“Vivemos num caos político por causa do governo de Michel Barnier e da presidência de Emmanuel Macron”, disse Panot.

Governo minoritário depende do apoio da oposição

Barnier e o seu governo só foram nomeados em setembro depois eleições antecipadas de verão que enfraqueceu a posição do presidente Emmanuel Macronaliança no parlamento.

O veterano político francês já sobreviveu a um voto de confiança, em outubro.

Macron convocou a votação antecipada para julho, após o forte desempenho do RN e da LFI nas eleições para o Parlamento Europeu deste ano.

A medida foi vista como uma aposta e, em última análise, um tiro que saiu pela culatra, fortalecendo ambos os flancos da Assembleia Nacional e reduzindo ao mesmo tempo o número de legisladores na aliança de Macron.

O governo de Barnier está a quase 80 assentos de comandar uma maioria sem assistência externa.

A tentativa do primeiro-ministro de cortar custos é difícil de vender

O primeiro-ministro, que vem da tradicional UMP de centro-direita francesa, aliada ao bloco de Macron no governo, insistiu que a França precisava de reduzir a sua dívida nacional de quase 3,3 biliões de euros (quase 3,4 biliões de dólares) no orçamento de 2025.

Como resultado, viu-se, em primeiro lugar, a procurar apoio adicional do RN, com a LFI de impostos e despesas a parecer ainda menos propensa a aprovar os seus planos.

Mathilde Panot, da LFI, acusou Barnier de oferecer concessões “desonrosas” ao RN no processo.

Os investidores têm pressionado o governo francês nos mercados, com os custos dos empréstimos franceses através de títulos soberanos subindo na segunda-feira para os mesmos níveis que os da Grécia, há muito vista como um dos membros mais expostos à dívida da zona euro.

O que acontece a seguir?

A oposição tem agora 24 horas para apresentar uma moção de censura, conforme anunciado.

Uma votação poderia, em teoria, ocorrer já na quarta-feira.

Nenhum governo francês foi derrubado desta forma desde 1962, mas a oposição de direita e de esquerda votando em uníssono seria suficiente para destituir o Barnier apenas alguns meses após a sua assembleia.

msh/rc (AFP, dpa, Reuters)



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