O banco federal alemão, o Bundesbank, reduziu drasticamente as suas previsões de crescimento para os anos de 2025 e 2026 na sexta-feira, 13 de dezembro, frustrando as esperanças de uma rápida recuperação na maior economia da Europa, atolada numa crise estrutural.
A instituição prevê um aumento de 0,2% no Produto Interno Bruto (PIB) para o próximo ano, ante 1,1% nas últimas estimativas de junho. Para 2026, espera um crescimento de 0,8%, ante 1,4% anteriormente. Estas previsões, também revistas em baixa esta semana por vários institutos económicos nacionais, distanciam-se ainda mais das do Ministério da Economia, que espera um crescimento de 1,1% em 2025 e de 1,6% em 2026.
Para 2024, no entanto, o caso é claro: espera-se que o PIB diminua 0,2%, de acordo com o governo e o Bundesbank, ou seja, um segundo ano consecutivo de recessão. “A economia alemã está a lutar não só contra ventos económicos contrários persistentes, mas também contra problemas estruturais”, diz o presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, em comunicado.
Exportações fracas
A indústria alemã, que já foi a ponta de lança da economia, está a sofrer com exportações fracas e preços de energia mais elevados do que os seus vizinhos, especialmente como resultado da guerra na Ucrânia. Os investimentos diminuem num contexto político incerto antes das eleições legislativas antecipadas marcadas para Fevereiro, após a dissolução da coligação do chanceler social-democrata Olaf Scholz.
O mercado de trabalho tradicionalmente robusto também dá sinais de abrandamento, o que afecta o consumo privado que, contrariamente às expectativas há alguns meses, não desempenhará um papel impulsionador na esperada recuperação económica. O Bundesbank prevê uma estagnação do PIB durante o inverno, antes de uma recuperação gradual até ao final de 2025.
Estas previsões permanecem incertas, em especial devido à “possível aumento do protecionismo global”sublinhou Joachim Nagel, referindo-se aos aumentos das tarifas aduaneiras que poderão impor uma nova administração americana sob Donald Trump.
O mundo com AFP
