O preço das bananas nunca foi tão alto. No dia 20 de novembro foi retirado aquele que o artista Maurizio Cattelan havia colado na parede em 2019 com fita adesiva prateada 6,2 milhões de dólares (5,9 milhões de euros) na Sotheby’s. A oportunidade para o seu novo proprietário, o empresário chinês Justin Sun, ganhar publicidade global a um custo baixo. Dois dias antes, o burburinho era de natureza completamente diferente: uma pintura de René Magritte (1898-1967), O Império das Luzes, concedido por US$ 121 milhões (cerca de 114 milhões de euros), juntou-se ao pequeno círculo de obras avaliadas em nove dígitos.
Em 2024, Cattelan e Magritte estão bem, o resto do mercado muito menos. As casas de leilões ainda não fecharam as contas de final de ano, mas são esperadas contrações muito fortes.
O relatório publicado em outubro pela feira Art Basel e pelo banco UBS já dava a tendência: no primeiro semestre, as vendas na Christie’s, Sotheby’s, Phillips e Bonhams haviam caído 26% em relação a 2023, um ano já bastante sombrio. “Os americanos pisaram no freio enquanto esperavam pelas eleições, a China está passando por uma grande crise com uma nova geração que gasta seu dinheiro de forma diferente”explica o corretor de arte moderna Thomas Seydoux.
Em Paris, que brilha desde a instalação de grandes galerias estrangeiras e da feira Art Basel, os leilões também foram trabalhosos. A maior venda na França vai para Visitante com chapéu azul, de Jean Dubuffet (1901-1985), vendido por 6,8 milhões de euros na Sotheby’s neste outono, quando o ano de 2023 coroou um Miro datado de 1949, vendido por 20,7 milhões de euros. “Saímos de dois anos quase irracionais em 2021 e 2022é normal que haja um ajuste”coloca Aurélie Vandevoorde, codiretora do departamento de arte moderna e contemporânea da Sotheby’s, em perspectiva.
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