
Estará a Martinica finalmente prestes a vencer a batalha contra o elevado custo de vida? Há quem queira acreditar, depois de um mês e meio de mobilização popular contra os elevados preços dos alimentos nesta ilha das Antilhas. Teria sido necessário sete laboriosas mesas redondas entre eleitos, representantes do Estado e do sector privado, além de inúmeras manifestações organizadas por diversas organizações associativas e sindicais, para chegar a um acordo.
No final de uma nova sessão de negociações sob a égide da Coletividade Territorial da Martinica (CTM) e da prefeitura, um documento foi assinado na noite de quarta-feira, 16 de outubro, por cerca de trinta parceiros públicos e privados. Este protocolo deverá resultar em “uma redução média de 20% nos preços de venda” de mais de 6.000 produtos alimentares nos hipermercados da ilha, sublinhou a prefeitura da Martinica num comunicado de imprensa.
O “protocolo de objetivos e meios de combate ao elevado custo de vida” está dividido em vinte e oito compromissos assumidos pelo Estado, pelas marcas CTM e de distribuição local, mas também pela transportadora marítima CMA CGM – interveniente fundamental na importação de mercadorias para as Antilhas –, bem como pelo Grande Porto Marítimo da Martinica. Entre os signatários estão também parlamentares martinicanos, bem como representantes de diversas organizações socioprofissionais da ilha.
No documento de onze páginas, estes interlocutores “propor que seja examinado durante um período de observação de trinta e seis meses” a implementação destas ações que estão ligadas “em torno de três eixos” : as promessas de “atores económicos na cadeia de valor”os da autarquia local e os do Estado.
Decepção pelo não alinhamento de todos os preços em França
No entanto, falta um interlocutor importante na lista de signatários deste acordo: o colectivo que lançou, no dia 1é Setembro, o movimento de protesto contra o elevado custo de vida, neste território onde o preço dos produtos alimentares é 40% superior ao da França continental, segundo um estudo do INSEE publicado em julho de 2023. Este coletivo, o Rassemblement pour la protection of Afro -Os Povos e Recursos do Caribe (RPPRAC), deixaram a mesa de negociações no início da noite, enquanto ainda tropeçavam em um último ponto de discórdia: o número de produtos afetados pela queda de preços.
“Estamos realmente decepcionados”declarou Gwladys Roger, tesoureira do RPPRAC, num vídeo divulgado na rede social Instagram, no qual relembra a exigência inicial do coletivo: “alinhamento” preços na Martinica em comparação com os da França continental para “todos os alimentos”. O compromisso assumido “6.000 produtos entre 40.000 referências” nos supermercados é inaceitável, aos olhos do activista.
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