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“O diálogo entre história e economia não visa sobretudo impor as regras da outra a uma disciplina”

Eem 2021, uma pesquisa sobre o apoio dos veteranos franceses ao pétainismo reacendeu a disputa entre economistas e historiadores. Os economistas pensaram ter construído um modelo estatístico relevante para medir a politização dos soldados dos 14 aos 18 anos e compreender as bases sociais do Pétainismo. Não, respondeu em coro irritaram os historiadores, que tomaram a decisão de apontar muito rapidamente os erros metodológicos e interpretativos: inadequações bibliográficas, ilusão estatística, culto aos dados, falta de consideração dos atores. Acima de tudo, sublinharam os perigos do aumento da generalidade, considerada não só errónea neste caso, mas antes de mais nada desrespeitosa com décadas de investigação na história.

Nos Estados Unidos, a história do capitalismo tem desfrutado de grande sucesso ao longo dos últimos quinze anos, rendendo mesmo aos seus defensores as raras honras de primeira página do New York Times. Com entusiasmo, os historiadores trabalharam na assunção de riscos, no crédito, na financeirização e até na dívida, e começaram a “desnaturalizar” o capitalismo para finalmente compreendê-lo. Surpreendentemente, o diálogo com os economistas tem sido inexistente, e estes questionam frequentemente a recusa em definir os conceitos utilizados, nomeadamente o de capitalismo. O que devemos fazer, em última análise, com esta sucessão de análises de casos, pouco interdisciplinares, e recusando qualquer teorização do objecto escolhido?

Ainda mais do que um “diálogo de surdos”, as relações entre estas duas disciplinas transformam-se por vezes numa batalha campal, especialmente quando os economistas decidem aventurar-se em objectos não económicos que interpretam com as suas metodologias, ou quando os historiadores desprezam deliberadamente estas últimas.

Banalidades científicas

É importante voltar ao cerne deste debate interdisciplinar sobre a importante questão da generalização. Quando é possível generalizar a partir de um ou mais locais de arquivo, um experimento aleatório ou um teste empírico? Em que ponto os resultados empíricos tornam-se decrescentes e tornam possível a generalização por esgotamento de casos particulares? A principal linha divisória entre as duas disciplinas situa-se, sem dúvida, aqui, e deve muito à sua evolução ao longo dos últimos cinquenta anos, tanto em termos de validação científica como de autoridade social e profissional.

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