
Em Toulouse, um batedor de carteiras operando em uma das 38 estações de metrô será perseguido por policiais nos porões, mas provavelmente será preso pela gendarmaria se chegar à superfície; em Narbonne (Aude), a área urbana está localizada numa zona policial, mas o litoral está sob a responsabilidade da gendarmaria; na Sabóia, o aeroporto de Chambéry-Savoie-Mont-Blanc está localizado no território de vários municípios, alguns dos quais estão na zona policial e outros na zona da gendarmaria; em Guéret, o único distrito policial nacional do departamento faz dele uma aldeia gaulesa, cercada por todos os lados por gendarmes.
A distribuição das áreas de competência entre a polícia e a gendarmaria assemelha-se a um mau sonho institucional, a um mapa congelado durante oitenta anos pela “forte tomada de decisão e competição entre as duas forças”lamenta um relatório do Tribunal de Contas tornado público no domingo, 12 de janeiro.
Observação esmagadora: nem a evolução demográfica das últimas décadas nem as profundas mudanças na delinquência e na criminalidade convenceram o Ministério do Interior a empreender um aggiornamento do que a passagem da gendarmaria sob a sua égide, em 2009, o deveria ter facilitado. A polícia não quer abandonar as suas esquadras localizadas em áreas isoladas; a gendarmaria recusa-se a ceder as suas brigadas periurbanas. E este status quo proporciona uma “fonte de disfunção e ineficiência, em detrimento da população”especialmente “quando a coordenação local entre a polícia e a gendarmaria não é a ideal”.
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