Mauricio Portugal Ribeiro
Em 22 de dezembro de 2024, o desabamento da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, localizada na BR-226, entre Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA), trouxe à evidência o problema da gestão das pontes no Brasil.
O incidente, que resultou na morte confirmada de dez pessoas, havendo ainda nove desaparecidas e apenas um sobrevivente, também trouxe riscos ambientais, uma vez que caíram no rio Tocantins caminhões carregados de recipientes com 22 mil litros de defensivos agrícolas e 76 toneladas de ácido sulfúrico.
Apesar de a ANA (Agência Nacional de Águas) descartar contaminação significativa, o evento exige ações urgentes para mitigar impactos e prevenir tragédias futuras.
A responsabilidade pela manutenção da ponte é do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), que segue normas como a DNIT 010/2024-PRO e a NBR 9452 para as inspeções em Obras de Arte Especiais.
No entanto, evidentemente, o colapso levanta questionamentos sobre a eficácia desses procedimentos. Apesar de inspeções anteriores identificarem patologias, a interdição preventiva da ponte não ocorreu. Essa lacuna entre diagnóstico e ação reforça a necessidade de, após apuração das causas da não interdição, revisar os protocolos de gestão.
Estudo apresentado por Ademir Santos e outros no 65° Congresso Brasileiro do Concreto revela que o Brasil possui cerca de 120 mil pontes rodoviárias em operação, das quais menos de 10% possuem histórico de inspeções regulares. Mais de 37% dessas estruturas têm mais de 50 anos, o que reforça a importância da sua permanente avaliação e manutenção.
Embora o DNIT utilize sistemas como o SGO (Sistema de Gerenciamento de Obras de Arte Especiais) desde 1993 e, mais recentemente, o sistema Monalisa, o índice de estruturas em condição crítica permanece relevante.
Folha Mercado
Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.
Esse mesmo estudo evidencia que as concessões à iniciativa privada melhoram significativamente a qualidade das pontes.
Enquanto estruturas sob jurisdição federal recebem predominantemente notas medianas (3 e 4), as que integram concessões privadas estaduais apresentam maior proporção de notas altas (5), indicando condições ótimas. Essa diferença destaca a importância de expandir o programa de concessões de rodovias, para abarcar trechos que atualmente são geridos pelo poder público.
O incidente da ponte Juscelino Kubitschek deve ser um marco para o aperfeiçoamento de sistemas de inspeção e gestão. Medidas como o fortalecimento de protocolos preventivos, ampliação de investimentos em infraestrutura e realização de concessão à iniciativa privada podem prevenir futuras tragédias. O desafio é transformar a lição aprendida em soluções sustentáveis para garantir a segurança e a eficiência da malha rodoviária brasileira.
