Promotores da Romênia invadiram no sábado três casas na cidade central de Brasov, um dia depois do o tribunal superior do país declarou inválida a votação presidencial no primeiro turno em meio a alegações de que vencedor de extrema direita pró-Kremlin poderia ter beneficiado da interferência russa.
A decisão do tribunal surgiu depois de documentos desclassificados indicarem que o processo eleitoral estava contaminado por manipulação de votos, irregularidades de campanha e financiamento não transparente.
A decisão do tribunal significa que a votação do segundo turno planejada para domingo não ocorrerá conforme planejado. Uma nova data para novas eleições presidenciais será definida pelo governo formado após as eleições parlamentares do último fim de semana, vencida pelos social-democratas no poder em meio a grandes ganhos dos partidos de extrema direita.
Supremo Tribunal da Roménia anula eleições presidenciais
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Investigue possível financiamento ilegal
Os promotores disseram que as buscas faziam parte de uma investigação sobre financiamento ilegal de campanha e outras violações da lei.
“As buscas visam o possível envolvimento de um indivíduo no financiamento ilegal da campanha eleitoral de um candidato à Presidência da Roménia, através da utilização de somas de dinheiro… (que) poderiam advir da prática de crimes, sendo posteriormente introduzido em um processo de lavagem de dinheiro”, disseram os promotores em comunicado.
Embora não tenham identificado o nome do indivíduo, os documentos desclassificados centravam-se na campanha de Calin Georgescu, que venceu a votação na primeira volta de 24 de Novembro, apesar dos inquéritos pré-eleitorais lhe terem dado um apoio de apenas um dígito.
As investigações também analisarão as violações da lei que proíbe organizações e símbolos de natureza fascista, racista ou xenófoba, acrescenta o comunicado.
Os documentos, preparados pela agência de inteligência da Roménia, falavam de “uma campanha promocional agressiva, em violação da legislação eleitoral, e de uma exploração de algoritmos para aumentar a popularidade de Calin Georgescu a um ritmo acelerado”. Um deles disse que a Roménia foi alvo de “ações híbridas agressivas da Rússia”, incluindo ataques cibernéticos.
Georgescu, que entre outras coisas quer acabar com o apoio romeno à Ucrânia em meio à invasão da Rússia, classificou a decisão do tribunal como um “golpe”. Ele declarou zero fundos gastos em sua campanha, que foi em grande parte realizado via TikTok.
A Rússia negou ter interferido nas eleições.
tj/sms (AFP, Reuters)
