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Por cirurgias plásticas mais baratas, acreanos viajam até Bolívia

Editorial do Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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Por cirurgias plásticas mais baratas, brasileiros organizam no WhatsApp viagens até Bolívia e Venezuela.

Valor chega a menos da metade do pago no Brasil; sociedade brasileira da classe diz que prática é ilegal.

Foto: Cirurgias plásticas em países vizinhos chegam a custar menos da metade do preço no Brasil – Getty Images.

A microempresária Silvana Siqueira, 39, se juntou a outras quatro mulheres e, em um carro, atravessou a fronteira entre o Brasil e a Venezuela no início deste ano. O objetivo: se submeter a cirurgias plásticas.

E elas não são as únicas. Segundo médicos e outras pessoas desse ramo ouvidas pela BBC News Brasil, cresceu nos últimos anos a busca, de brasileiros, por esses procedimentos em países como a Bolívia e a Venezuela. A ponto de todo um mercado ter se organizado em torno desse filão.

Há inúmeras páginas e grupos no Facebook dedicados ao assunto. Os interessados criam grupos no WhatsApp, em sua maioria compostos por mulheres, nos quais trocam experiências e organizam as viagens, atraídos principalmente pela oferta de menor preço. Além disso, brasileiros têm atuado como intermediadores entre pacientes, médicos e cuidadores, pessoas que recebem para ajudar no pós-operatório.

Não há uma estatística sobre essa procura, mas a Sociedade Boliviana de Cirurgia Plástica cita o câmbio, favorável a quem vive no Brasil, como um dos principais atrativos. Na Venezuela, um só médico diz operar até 12 brasileiros por mês. Lá, a crise econômica tem feito os profissionais atuarem cada vez mais para atrair clientes do exterior, de acordo com os relatos.

Siqueira conta que decidiu fazer as plásticas no país vizinho após ouvir relatos bem-sucedidos de amigas. Ela pagou R$ 13,5 mil pelos procedimentos. “A qualidade do serviço deles é excelente. Eu consegui o resultado que almejava”, conta. A viagem de carro fazia parte de um pacote no valor de R$ 2.000 pago a uma brasileira para receber os cuidados após a cirurgia.

Alguns procedimentos chegam a custar menos da metade do valor cobrado no Brasil —os mais procurados são lipoaspiração, lipoescultura, rinoplastia, abdominoplastia e implante de silicone nos seios.

Mas existem riscos. Além da possibilidade de ser operado por um profissional que não é cirurgião plástico, há também o perigo de o procedimento ser feito em uma clínica clandestina ou não haver cuidados adequados no pós-operatório, problemas também registrados no Brasil.

No ano passado, ao menos duas brasileiras morreram nos países vizinhos por causa de complicações. O mesmo ocorreu no caso da bancária Lilian Calixto, 46, que morreu no Rio após uma intervenção nos glúteos realizada por Denis Furtado, médico conhecido como “Doutor Bumbum”, que, segundo o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), não tinha autorização para exercer medicina no Estado.

Como ocorre a negociação

Médicos na Bolívia e na Venezuela mantêm uma equipe dedicada a conquistar clientes no Brasil. Por meio de divulgações nas redes sociais e até pessoalmente, nas áreas de fronteira, intermediários brasileiros anunciam o trabalho do profissional, propagando fotos de supostos resultados de procedimentos.

Esses intermediários geralmente ganham um percentual por cliente conquistado, e costumam fechar um pacote incluindo transporte, alimentação, estadia, cirurgia e cuidados durante o pós-operatório. Há outras opções para quem deseja viajar por conta própria.

Além deles, ajudam na divulgação os cuidadores, na maioria também brasileiros, que via de regra não trabalham para um médico específico. Ele auxiliam na busca pelo profissional e cobram até R$ 3.000 para oferecer suporte no período pós-operatório, que pode levar 15 dias. O valor inclui alimentação, acompanhamento, estadia e ajuda durante a recuperação.

“É preciso tomar cuidado, porque existe o risco de [os pacientes] serem captados por gente que trabalha por comissões e porcentagens para arrumar pacientes para cirurgiões falsos”, alertou em conversa com a BBC News Brasil o presidente da Sociedade Boliviana de Cirurgia Plástica, Javier Ruiz Barea.

Os pagamentos das cirurgias plásticas são feitos em uma única prestação, em dólar ou real. No caso da Bolívia, podem ser realizados antes de o paciente ir ao país ou na chegada. Na Venezuela, precisam ser pagos antes, por meio de depósito bancário ou entregues a um representante do médico.

As conversas sobre as plásticas, os valores e a forma de pagamento acontecem no WhatsApp. Também são criados nos aplicativos grupos que reúnem as pessoas que irão nas mesmas datas, nos quais também são publicadas informações sobre as viagens e as cirurgias.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a prática de levar grupos de brasileiros para fazer cirurgias plásticas em outros países é ilegal. “Eles aliciam as pessoas. Trata-se quase de um tráfico de pacientes. É um interesse exclusivamente mercantil. Fazem do paciente objeto de mercancia”, afirmou Denis Calazans, secretário-geral da entidade.

Uma pessoa que recebe pacientes na Venezuela, que pediu para não ser identificada, nega que a prática seja criminosa.

“Os médicos brasileiros tentam nos denegrir. Eles costumam dizer que somos aliciadores, mas eu não obrigo ninguém a vir. As pessoas chegam aqui por vontade própria. São elas que me procuram”, diz.

Indústria do bisturi

Os grupos, que costumam ter entre cinco e dez pessoas, geralmente viajam por meio de vans, ônibus ou carros particulares.

Em boa parte das vezes, vivem nos estados próximos à fronteira —os pacientes que chegam à Bolívia vêm, em sua maioria, de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre e Rondônia, enquanto no caso da Colômbia, de Roraima ou do Amazonas.

Durante o pós-operatório, há a opção de ficar em espaços pertencentes aos cuidadores. A atividade se tornou tão rentável que, para alguns, se tornou a única fonte de renda —há quem tenha contratado enfermeiros, cozinheiros e motoristas para atender aos pacientes.

Rosto de paciente iluminado enquanto médico se encontra nas sombras
‘Não existe crise para a cirurgia plástica aqui’, diz pessoa que recebe, na Venezuela, brasileiros que desejam fazer cirurgia plástica – Getty Images.
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Na Venezuela, os brasileiros costumam fazer as intervenções em Puerto Ordaz, a cidade grande mais próxima à fronteira. No país, o grande número de estrangeiros que procuram os serviços locais fez os médicos criarem promoções para os locais, relata uma cuidadora ouvida pela BBC News Brasil.

“Os médicos passaram a cobrar metade do preço, em comparação àquilo que é cobrado dos estrangeiros, para que eles [venezuelanos] façam as cirurgias”, relata.

Em meio à profunda crise vivida na Venezuela, os cirurgiões plásticos intensificaram a divulgação de seus trabalhos no exterior.

Segundo o cirurgião Enzo Troisi, a vinda de estrangeiros cresceu nos últimos anos. “Hoje, além dos brasileiros, também recebemos pacientes colombianos, dominicanos, americanos e europeus”, diz.

Formado há 20 anos, Troisi afirma costumar operar de 8 a 12 brasileiros todos os meses. Não há levantamentos sobre a quantidade de brasileiros que vão à Venezuela com esse fim.

Uma cabeleireira brasileira, que pediu para não ser identificada, diz que economizou R$ 6,5 mil ao fazer plásticas no país vizinho em fevereiro passado. “Eu fiz lipoaspiração e coloquei prótese nos seios. No Brasil, os procedimentos não sairiam por menos de R$ 17 mil. Paguei R$ 10,5 mil na Venezuela.”

Ela elogia os médicos. “Eles foram muito cuidadosos e exigiram uma bateria de exames. Deu tudo certo comigo e com as outras meninas do meu grupo”, conta. “Não me arrependo. Meus parentes diziam que eu estava maluca, por causa das notícias ruins do país, mas a minha experiência foi muito tranquila”, diz a mulher.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia plástica alerta que os riscos estão presentes não só nos procedimentos em si, mas também no período pós-cirúrgico. Isso porque, afirma, há casos de brasileiros que sofrem complicações por não aguardar o tempo necessário de repouso.

“Uma das características que percebemos, principalmente nas cirurgias feitas na Venezuela, é que os brasileiros que têm complicações fazem a recuperação em hospitais públicos no Brasil. Então, eles pagam particular em outro país e se recuperam aqui, às custas do Estado brasileiro. Apesar disso, é importante destacar que a saúde brasileira é universal e não se pode negar assistência”, afirma Calazans.

Ajuda do câmbio

Na Bolívia, o mercado de cirurgias plásticas teve uma grande expansão nos últimos anos. Lá, a cidade mais procurada por brasileiros é Santa Cruz de La Sierra, também próxima com a fronteira.

“A taxa de câmbio faz com que os procedimentos fiquem mais baratos para os brasileiros”, conta o presidente da Sociedade Boliviana de Cirurgia Plástica.

Há dois anos, a vendedora Josiane Roque, 31, foi à Bolívia para fazer uma lipoescultura e colocar próteses de silicone nos seios.

Ela relata que pesquisou sobre os médicos locais antes de fazer as intervenções, que custaram R$ 7,5 mil. “Vi os resultados das cirurgias que eram feitas lá e gostei. Depois olhei os valores e vi que pagaria metade do que gastaria aqui no Brasil.”

A vendedora também contratou uma cuidadora para auxiliá-la no pós-operatório. “Eu fiquei sete dias na Bolívia, após a cirurgia, e só retornei quando estava bem. Gostei muito dos resultados, e indiquei para todas as minhas amigas.”

O empresário e jornalista Peterson Prestes, 36, afirma ter feito 22 procedimentos na Bolívia desde 2011, entre plásticas e intervenções estéticas. “Fiz rinoplastia, apliquei botox várias vezes, coloquei próteses nos glúteos, entre outras intervenções estéticas. Foi tudo muito tranquilo e nunca tive nenhuma complicação”, diz.

Homem sentado
Prestes já fez 22 procedimentos estéticos na Bolívia desde 2011 – BBC.
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Ele acredita que os mesmos procedimentos, caso feitos no Brasil, não custariam menos de R$ 100 mil —na Bolívia, conta, saíram por pouco menos de R$ 80 mil.

“No total, paguei pouco menos de R$ 50 mil ao longo desses anos. Eu consigo muitos descontos porque também trabalho como drag queen e gravo vídeos divulgando algumas clínicas.”

Javier Barea alerta que os brasileiros devem tomar cuidado para não contratar falsos profissionais.

“Há pessoas que não são médicas e se passam por cirurgiões plásticos. Existem também médicos que não possuem tal especialidade e se oferecem para esse tipo de intervenções. Por isso, orientamos que somente entrem em contato com cirurgiões que pertençam à Sociedade Boliviana de Cirurgia Plástica.”

Casos trágicos

Embora as mulheres que conversaram com a reportagem relatem experiências positivas, nem sempre o sonho da cirurgia plástica termina bem.

O caso de morte mais recente foi o da manauara Orquídea Catão Ponds, 45, que morreu horas depois de passar por uma lipoaspiração na Venezuela, em dezembro.

Segundo o laudo pericial, ela teve tromboembolia pulmonar —um coágulo se forma nas veias, entupindo a artéria do pulmão.

A família contesta o resultado da perícia. “Tenho certeza de que não foi uma tromboembolia pulmonar. Eu a acompanhei, estive lá no momento da cirurgia e vi tudo de errado que aconteceu no dia”, relata uma parente dela, que pediu para não ser identificada.

Um ano antes, outra brasileira havia morrido após ser operada pelo mesmo médico, o oncologista Oscar Hurtado. Dioneide Leite, 36, se submeteu a uma abdominoplastia com ele. O nome de Hurtado não consta na lista de profissionais inscritos na Sociedade Venezuelana de Cirurgia Plástica (SVCP).

A reportagem procurou a entidade para comentar o caso, mas ela afirmou que não poderia responder nesta semana.

Em setembro do ano passado, a mato-grossense Janeane Rodrigues da Silva Fidélis, 42, morreu em decorrência de cirurgias plásticas feitas na Bolívia. Ela sofreu uma parada cardíaca dois dias depois de se submeter a lipoaspiração e abdominoplastia.

O médico responsável pela cirurgia, o cirurgião plástico Hernán Justiniano Grillo, não respondeu aos pedidos de entrevista. Na época, argumentou que a paciente não relatou, no pré-operatório, que tomava diferentes tipos de medicamentos, dentre eles um para problemas cardíacos.

De acordo com a Sociedade Boliviana de Cirurgia Plástica, o médico está inscrito na entidade. A entidade afirma que todos os casos de morte são investigados pelo Ministério Público da Bolívia, mas são conduzidos em sigilo.

Falta de dados

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica fez uma representação na Procuradoria-Geral da República sobre o turismo médico, na qual relatou as mortes das brasileiras. Segundo a PGR, não foram encontrados indícios de ilegalidades, e procedimento de investigação acabou arquivado.

Nos últimos cinco anos, foram registradas ao menos oito mortes de brasileiras na Venezuela em decorrência de cirurgias plásticas. Na Bolívia foram ao menos sete em 20 anos, segundo a Sociedade Boliviana de Cirurgia Plástica.

Não há dados sobre as mortes e complicações ocorridas após cirurgias feitas no Brasil, como a da bancária operada pelo “Doutor Bumbum”. Apesar dos vários casos relatados na imprensa ao longo dos anos, o Ministério da Saúde, o Conselho Federal de Medicina e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica afirmam que não possuem estatísticas sobre óbitos ou sequelas graves.

No Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, não há apontamentos de mortes em razão de cirurgias plásticas. Os casos normalmente são notificados de formas distintas, como infecção ou parada cardiorrespiratória, pois não há uma especificidade para as intervenções estéticas.

O dermatologista Érico Pampado Di Santis defendeu uma tese de doutorado que tinha como tema as mortes em procedimentos de lipoaspiração no Brasil. Ele relata que teve dificuldades para encontrar dados sobre os óbitos relacionados às intervenções.

“Obtive pela imprensa [os dados] em uma busca hercúlea de dez anos. É mais difícil ainda conseguir as certidões de óbito”, comenta.

Com base nas pesquisas para a tese, Santis apurou que foram registradas, no Brasil, 102 mortes, de 1987 a 2015, em decorrência de lipoaspiração, em alguns casos associadas a outros procedimentos.

Segundo o dermatologista, não há como afirmar que as intervenções nos países vizinhos são mais arriscadas que as feitas no Brasil. “Não se pode dizer que os riscos são distintos, pelo motivo de não termos no Brasil, e também no mundo, dados consistentes sobre esses casos.” Vinicius Lemos – Folha. 

ACRE.COM.BR / BBC News Brasil

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EXCLUSIVO: Prefeita Marilete Vitorino confirma que não é candidata à reeleição

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Nesta Sexta-feira, 10, a prefeita do Município de Tarauacá, Marilete Vitorino (PSD), concedeu entrevista exclusiva ao Acre.com.br, e na ocasião, confirmou que não é candidata à reeleição. “Meu projeto será priorizar minha família”, disse a prefeita. Veja entrevista na íntegra. 

Jornalista Freud Antunes:  A reeleição está nos planos deste ano?

Prefeita Marilete: Não sou candidata à reeleição. Vou ajudar meus amigos, meu partido e aquelas pessoas que apoiaram nosso mandato nos últimos 4 anos. Em seguida, após prestar minha gratidão com aqueles que nos ajudaram, meu projeto será priorizar minha família, e ajudar o governador Gladson. 

Freud Antunes: Quem será seu candidato à prefeito em Tarauacá? pode informar ?

Prefeita Marilete: O nosso partido PSD ainda está em tratativas com outras forças políticas, buscando um consenso e um nome com liderança e condições de administrar nossa cidade com responsabilidade, dando prosseguimento àquelas conquistas que já alcançamos. Não tenho candidato à prefeito ainda. 

Freud Antunes: Os vereadores de Tarauacá tentaram destituir a senhora, através de impeachment. Há alguma mágoa? Como é sua relação com o Legislativo local hoje? 

Prefeita Marilete: Aquele momento já foi superado, e graças à Deus não guardo rancor ou mágoa de ninguém. Atualmente nossa relação é de respeito e cordialidade. Nos tratamos todos com muita urbanidade e cortesia. Tenho diálogo com todos, e meu gabinete é permanentemente à disposição de todos. 

Freud Antunes: Os dois primeiros anos da sua gestão – 2017/2018 – foram caracterizados pelo esquecimento por parte do Governo do Estado, à época governado por Tião Viana (PT). A partir de janeiro/2019, o Governador Gladson assumiu o comando do Acre, e prometeu muitas ações para Tarauacá. O que foi feito?

Marilete Vitorino: O Governador Gladson recebeu um Estado com muitos problemas, e tem se esforçado bastante para atender as demandas e prioridades dos 22 municípios. Em Tarauacá, tivemos avanços em ações pontuais como reforma da Biblioteca Pública Estadual, ação de tapa-buraco, diligências na abertura de ramais para escoamento da produção rural, melhorias no hospital local, contratação de servidores públicos, e alguns convênios assinados e atualmente em execução. O Governador tem sido um guerreiro no enfrentamento da pandemia. 

Freud Antunes: Por falar em pandemia, como a senhora avalia as consequências políticas do COVID-19, sobre a política de Tarauacá?

Marilete Vitorino: Desde março/2019 quando a pandemia chegou ao Brasil, tivemos de trabalhar em dobro para minimizar as consequências. A crise mostrou a verdadeira face de quem realmente trabalha. A pandemia veio como uma “navalha”, trazendo o distanciamento, o isolamento social, e novas formas de viver e ver o mundo. A política em Tarauacá, este ano, com a pandemia, trouxe acentuada insegurança e incerteza quanto ao dia de amanhã. O novo prefeito ou prefeita não pode ser do grupo de risco e nem ter medo da morte (risos…), porque enfrentará desafios jamais vistos. Para ajudar o próximo gestor, dia 01 de janeiro de 2021 entregarei formalmente a Prefeitura, sem dívidas e organizada, e com saldo financeiro em conta, se Deus quiser. 

Freud Antunes: Obrigado prefeita por sua entrevista. 

Marilete Vitorino: à sua disposição, e obrigada também. 

Por Acre.com.br 

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Queimadas crescem no AC, mas multas por crimes ambientais ficam abaixo da média de anos anteriores

G1AC, via Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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Mesmo com integração de órgãos em operação, valores apresentam uma baixa na média se comparado aos anos anteriores. Foram totalizados R$ 393.146,43 em multas por crimes ambientais.

Capa: Queimadas aumentam no AC, mas multas por crimes ambientais ficam abaixo da média de anos anteriores — Foto: Asscom/Bombeiros-AC.

No Acre, a pedido do G1, o governo fez um levantamento de ações feitas no primeiro semestre deste ano relacionadas ao combate a crimes ambientais. Foram totalizados R$ 393.146,43 em multas relacionadas a desmate, queimadas, embargos e apreensões com madeira ilegal. O valor aplicado mostra uma baixa na média com relação ao anos anteriores.

O governo informou que tem atuado com ênfase contra o desmatamento ilegal, invasões de terras públicas e queimadas. Segundo o balanço, foram 1.640 ocorrências de combate a queimadas urbanas; 169 queimadas rurais; 13 prisões em flagrante; 54 autos de infração, entre atividades de desmate, embargos e apreensões com madeira ilegal, que geraram o valor das multas.

Uma operação ocorre em parceria com as equipes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), Batalhão de Policiamento Ambiental (BPA) da Polícia Militar do Acre (PMAC) e Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC).

A Amazônia voltou a ser o centro das atenções nos últimos dias. Isso porque registrou 1.034,4 km² de área sob alerta de desmatamento em junho, recorde para o mês em toda a série histórica iniciada em 2015.

No acumulado do semestre, os alertas indicam devastação em 3.069,57 km² da Amazônia, aumento de 25% em comparação ao primeiro semestre de 2019.

O vice-presidente Hamilton Mourão, que comanda o Conselho da Amazônia, afirmou nesta sexta-feira (10) que o recorde de alerta de desmatamento na região no mês de junho ocorreu porque as ações do governo federal começaram “tarde”.

Queimadas aumentam no AC, mas multas por crimes ambientais ficam abaixo da média de anos anteriores — Foto: Neto Lucena/Arquivo pessoal

Queimadas aumentam no AC, mas multas por crimes ambientais ficam abaixo da média de anos anteriores — Foto: Neto Lucena/Arquivo pessoal

Média de multas aparece baixa

A princípio o G1 tentou ter acesso específicos do Imac, como faz anualmente, mas o instituto não deu resposta ao pedido feito desde 29 de junho. Os dados só foram repassados, nesta sexta-feira (10), após solicitação à Secretaria de Meio Ambiente, que catalogou as ações referente ao primeiro semestre.

Mesmo assim, se comparado em anos anteriores, percebe-se que as multas estão abaixo de uma média. Já que, mesmo em operação, as multas relacionadas somente a queimadas em anos anteriores eram maiores para este período. Desta vez, o governo não estipulou o valor somente com multas de queimadas.

Em 2016, por exemplo, só o Imac, mais ou menos no mesmo período, já tinha aplicado mais de R$ 200 mil em multas em ocorrências relacionadas somente a queimadas, isso sem contar outros tipos de crimes.

Em 2017, Ibama e Imac em conjunto também aplicaram mais de R$ 2 milhões de multas só com queimadas, isso apenas nos primeiros meses daquele ano.

Equipes continuam em campo e ações devem ser intensificadas no período mais crítico — Foto: Cleiton Lopes/Arquivo Acre

Equipes continuam em campo e ações devem ser intensificadas no período mais crítico — Foto: Cleiton Lopes/Arquivo Acre

Já em julho do ano passado, o governador Gladson Cameli chamou atenção da imprensa nacional ao dizer a produtores rurais que ignorassem multas emitidas pelo Imac. No meio do discurso, o governador do estado disse que mandava no Imac e que a ordem era de que as sanções não fossem dadas aos produtores.

Não há como confirmar que a fala tenha tido um impacto nas ações, mas o fato é que, se comparado com os outros anos, as multas, pelo menos emitidas pelo Imac, apontam uma baixa na média, já que este ano tem atuado em parceria com uma força-tarefa e os mais de R$ 300 mil envolvem também outros crimes.

Equipes visitam florestas estaduais durante vistorias — Foto: Marcos Vicentti/Arquivo pessoal

Equipes visitam florestas estaduais durante vistorias — Foto: Marcos Vicentti/Arquivo pessoal

Comitê de ações integradas de Meio Ambiente

Porém, o governo diz que tem se esforçado. Este ano, foi criado o Comitê de Ações Integradas de Meio Ambiente, que define ações de combate e são executadas também em parceria com as prefeituras, especialmente no combate às queimadas urbanas. Mais de 10 instituições do governo do estado e o Ministério Público compõem esse grupo.

De acordo com os dados apresentados pelo Imac, somente nas áreas das florestas públicas foram aplicados 14 autos de infração de invasores. Também foram aplicadas 37 notificações de posseiros e invasores que estavam iniciando a broca e a equipe chegou a tempo de evitar novos desmatamentos.

“Em todas as ações, o Centro Integrado de Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental da Sema [Secretaria de Meio Ambiente] subsidia as equipes com mapas e informações georreferenciadas. Nas cidades, em especial na capital Rio Branco, a ‘Operação Fogo Zero’ está em andamento. Somente no mês de junho foram realizadas várias vistoriadas que resultaram em 51 notificações por queimadas urbanas pelo Imac”, diz o governo.

Queimadas no Acre aumentaram em mais de 70% — Foto: Asscom/Bombeiros

Queimadas no Acre aumentaram em mais de 70% — Foto: Asscom/Bombeiros

Ocorrências de queimadas sobem 76%

O G1 também pediu dados aos bombeiros sobre ocorrências de queimadas em todo o estado. De acordo com o levantamento, esse tipo de chamado aumentou 76%, comparando o período de janeiro a 8 de julho do ano passado e deste ano.

Em 2019, foram 1.026 ocorrências neste período. Destas 872 foram de queimadas urbanas e outras 154 em propriedades rurais. Percebe-se que as queimadas dentro das cidades são maiores.

Já este ano, foram 1.809 ocorrências atendidas pelos bombeiros. Destas, 1.640 foram queimadas urbanas – 614 a mais que no ano passado – e mais 169 rurais.

Dados do Inpe no Acre também mostram um avanço nos focos de calor nesse primeiro semestre. Os focos são captados pelos satélites e mostram um salto de 27% entre um ano e outro, se comparado os primeiros seis meses, saindo de 103 focos em 2019 para 137 este ano.

O período mais severo de seca no estado é previsto para os próximos meses, quando começa a época de estiagem. Este ano, a preocupação é ainda maior por conta da pandemia. Os órgãos temem que a fumaça agrave ainda mais o cenário de doenças respiratórias.

Para fortalecer ainda mais as ações de combate aos crimes ambientais, o governo federal decidiu prorrogar até novembro presença das Forças Armadas na Amazônia Legal.

Operações ocorrem em parceria, segundo o governo do Acre — Foto: Cleiton Lopes/Arquivo pessoal

Operações ocorrem em parceria, segundo o governo do Acre — Foto: Cleiton Lopes/Arquivo pessoal

Protocolo de Nagoya

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (8) a ratificação da participação do Brasil no Protocolo de Nagoya, acordo global que define regras internacionais para acesso e compartilhamento de recursos genéticos da biodiversidade. O acordo ainda precisa do aval do Senado.

Com o objetivo de conter a biopirataria, o acordo também estabelece formas de compartilhar benefícios entre empresas, povos indígenas e governos.

Na prática, os países que ratificarem o protocolo se comprometem em compartilhar os benefícios vindos da exploração de recursos naturais, como plantas ou animais, com o país de origem desses recursos.

Eles têm também a garantia de que recursos naturais retirados de seu próprio país serão submetidos a mesma regra. O protocolo pretende ainda criar novos incentivos para a conservação da biodiversidade e para o uso sustentável dos recursos naturais.

Moradores também são orientados durante vistoria — Foto: Marcos Vicentti/Arquivo pessoal

Moradores também são orientados durante vistoria — Foto: Marcos Vicentti/Arquivo pessoal

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