SíriaAs novas autoridades do país prenderam um funcionário da justiça militar que emitiu sentenças de morte para pessoas detidas na notória prisão de Saydnaya sob o governo deposto do presidente Bashar al-Assaddisse um monitor da guerra na Síria na quinta-feira.
Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, Mohammed Kanjo Hassan foi preso na província de Tartus, reduto do clã de Assad, juntamente com 20 membros da sua comitiva.
O Observatório disse que Kanjo Hassam emitiu “milhares” de sentenças – incluindo sentenças de morte – para pessoas detidas em Saydnaya.
Kanjo Hassan chefiou o tribunal militar da Síria de 2011 a 2014, os primeiros três anos da guerra civil do país, segundo Diab Serriya, cofundador da Associação de Detidos e Pessoas Desaparecidas da Prisão de Saydnaya (ADMSP).
Mais tarde, Kanjo Hassan foi promovido a chefe da justiça militar em toda a Síria, segundo Serriya, que acrescentou ter condenado “milhares de pessoas” à morte, muitas vezes em “julgamentos que duraram minutos”.
O grupo acredita que Kanjo Hassan ganhou 150 milhões de dólares (143 milhões de euros) com subornos pagos por familiares de detidos desesperados por informações sobre os seus entes queridos.
A maioria dos presos de Saydnaya ainda está desaparecida
O complexo Saydnaya é um local de execuções extrajudiciais, tortura e desaparecimentos forçados.
Está localizado perto de Damasco.
Localizado a cerca de 35 quilómetros (22 milhas) a norte de Damasco, o complexo Saydnaya foi palco de execuções extrajudiciais, tortura e desaparecimentos forçados, e resumiu as atrocidades impostas aos opositores de Assad.
A ADMSP estima que 30 mil pessoas foram levadas para as instalações a partir de 2011, enquanto apenas cerca de 6 mil foram libertadas, estando as outras ainda desaparecidas.
Organizações internacionais apelaram à criação de mecanismos de justiça e responsabilização na Síria.
ftm/você (AFP)
