Grande participação em comícios nacionais enquanto Fico exibe relatório da inteligência alegando ‘golpe de estado’ em aliança com estrangeiros.
Dezenas de milhares de pessoas protestaram em toda a Eslováquia, no meio da crescente raiva face ao aparente esforço do primeiro-ministro Robert Fico para estreitar laços com a Rússia.
As manifestações de sexta-feira, que reuniram cerca de 60 mil pessoas em Bratislava, marcaram a mais recente demonstração de raiva pública contra Fico, cujo visita a Moscou para conversações com o presidente Vladimir Putin no mês passado provocou uma série de protestos.
O grupo cívico Mier Ukrajine – “Paz para a Ucrânia” – disse que convocou as manifestações em defesa da “democracia”, após as observações do primeiro-ministro sobre a mudança da política externa da Eslováquia e a saída da União Europeia e da NATO.
“Não queremos estar com a Rússia… Queremos estar na União Europeia, queremos ser a NATO e queremos continuar assim”, disse o manifestante Frantisek Valach em Bratislava.
Na sexta-feira, as tensões aumentaram depois de o governo nacionalista de esquerda do primeiro-ministro ter acusado organizadores e opositores políticos de tentarem um “golpe de estado” em aliança com um grupo não especificado de estrangeiros.
Fico, que foi ferido em um ataque por um homem armado no ano passado, alegou que um grupo de especialistas não identificados presentes na Eslováquia tinha assistido a protestos na Ucrânia em 2014 e na Geórgia no ano passado, ligando as suas afirmações a um relatório secreto dos serviços de inteligência do país, conhecido como SIS.
Não apresentou provas específicas, mas disse publicamente que a oposição planeava ocupar edifícios governamentais, bloquear estradas, organizar uma greve nacional e provocar confrontos com as forças policiais como parte dos planos para derrubar o seu governo.
Os partidos da oposição procuraram um voto de desconfiança contra o governo de Fico, mas Fico até agora parecia preparado para sobreviver à votação, uma vez que mantém uma pequena maioria.
Os protestos de sexta-feira aproximaram-se dos níveis observados em 2018, quando o assassinato de Jan Kuciak, um jornalista que investigava corrupção de alto nível, forçou a renúncia de Fico.
A viagem privada de Fico a Moscovo em dezembro viu-o manter conversações com Putin, um encontro raro para um líder da UE desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022.
Ele tem estado em disputa aberta com a Ucrânia depois que Kiev interrompeu o trânsito do fornecimento de gás russo com destino à Eslováquia em 1º de janeiro, e ameaçou encerrar a ajuda humanitária em retaliação.
“O senhor Fico é muito agressivo e isso me incomoda. Ele perdeu todo o juízo e deveria abandonar a vida pública”, disse Jozef Betak, especialista em telecomunicações de 49 anos, no protesto. “Não podemos ficar calados, caso contrário nada mudará.”
