O governo britânico está a intensificar a sua luta contra a imigração ilegal com a criação de um regime de sanções específico contra as redes de contrabando de migrantes.
Este novo regime “ajudará a prevenir, combater e dissuadir a imigração ilegal e o contrabando de migrantes para o Reino Unido”declarou, quarta-feira, 8 de janeiro, o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, David Lammy, citado num comunicado de imprensa, acrescentando que este dispositivo seria o primeiro no mundo. Ele deve apresentá-lo durante um discurso na manhã de quinta-feira.
Londres tenta há vários anos impedir a chegada de migrantes através do Canal da Mancha em pequenos barcos. Voltaram a aumentar em 2024: 36.816 pessoas conseguiram chegar ao Reino Unido, ou 25% mais do que em 2023. Estas travessias levaram a um número recorde de mortes, com pelo menos 76 mortes durante as tentativas.
Citado no comunicado de imprensa, o primeiro-ministro, Keir Starmer, defendeu uma estratégia “ousado e inovador” superar essas redes. Este novo regime, que deverá entrar em vigor ainda este ano, permitirá “para atingir os indivíduos e entidades que organizam estas travessias perigosas” do Canal, e quem “obter lucros significativos com a exploração de pessoas vulneráveis”insiste o Ministério das Relações Exteriores. Ele deve, portanto, “contenção dos fluxos financeiros na sua origem”.
Encontro com Emmanuel Macron
Os outros regimes de sanções existentes (contra certos líderes iranianos, ou mesmo o apoio à guerra lançada pela Rússia contra a Ucrânia), prevêem nomeadamente o congelamento de bens, restrições financeiras ou mesmo proibições de entrada no território britânico.
Desde que chegou ao poder, Keir Starmer prometeu intensificar o combate às redes de contrabando, que pretende combater “como terroristas”. O governo criou nomeadamente um novo centro de comando dedicado a “segurança nas fronteiras” e reforçou a sua cooperação com os seus parceiros europeus para rastrear estas redes.
O assunto deverá ser um dos temas do encontro entre Keir Starmer e o presidente francês, Emmanuel Macron, na noite de quinta-feira em Checkers, residência de campo dos primeiros-ministros britânicos. A França e o Reino Unido já cooperam estreitamente nesta matéria, que é, no entanto, regularmente objecto de tensões entre os dois países.
O mundo com AFP
