
A Suécia cancelou treze projetos de parques eólicos ao longo da sua costa no Mar Báltico devido ao seu impacto nas suas capacidades de defesa, anunciou a ministra sueca do Ambiente, Romina Pourmokhtari, na segunda-feira, 4 de novembro. As licenças de construção destes parques eólicos offshore foram retiradas porque“eles teriam tido um impacto inaceitável” sobre a defesa do país escandinavo, explicou ela em conferência de imprensa.
Esta decisão ocorre na sequência da publicação de um estudo realizado pelas Forças Armadas, tornado público pelo canal público de televisão SVT na sexta-feiramostrando que estes projetos poderiam perturbar significativamente os sensores de defesa suecos no Báltico. As torres de turbinas eólicas e as pás rotativas emitem ecos de radar e produzem uma série de outras interferências, especialmente debaixo d’água.
O enclave “altamente militarizado” de Kaliningrado
Tendo em vista “dada a grave situação de segurança que a Suécia atravessa atualmente, os interesses da defesa devem pesar mais na balança”sublinhou o ministro da Defesa, Pal Jonson, durante a conferência de imprensa. Os treze parques eólicos offshore, se tivessem sido mantidos, teriam duplicado o tempo de detecção de um ataque de mísseis, que teria passado de um para dois minutos, explicou.
O ministro acrescentou que a relativa proximidade do enclave russo “altamente militarizado” de Kaliningrado tinha sido “um elemento central” na decisão tomada pelo governo sueco. As tensões na região aumentaram desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Uma nova base militar da NATO foi aberta em Rostock, norte da Alemanha, com o objetivo de coordenar as forças estatais membros da Aliança na área que enfrenta a Rússia.
Ao mesmo tempo, as necessidades energéticas provenientes de fontes renováveis estão entre as prioridades. O consumo de electricidade na Suécia poderá atingir pelo menos 300 TWh até 2045, o dobro do nível actual, de acordo com um resumo consultado pela Agence France-Presse.
O mundo com AFP
