
” Você também ? » Numa dessas noites sem dormir, como tantas outras durante tanto tempo, Bernard-Henri Lévy dá uma olhada lá fora. Da janela do seu lindo apartamento no número 8e Bairro parisiense, o filósofo observa o apagamento da última luz no Palácio do Eliseu. “Eu sei que ele vai para a “ala da Madame” onde vai acender outro”ele escreve em seu trabalho noite sem dormir (Grasset, 192 páginas, 18,50 euros), a publicar no dia 8 de janeiro. Assim como ele, o “jovem monarca” – é assim que o escritor se refere ao Presidente da República – sofre de noites agitadas. Superman ou alma atormentada? Será a Ucrânia, invadida pelos russos, que priva o chefe de Estado do descanso? O Médio Oriente está em chamas? O poder que lhe escapa? Não saberemos de nada. Só que Emmanuel Macron fica acordado até tarde da noite.
Dessa insónia partilhada entre o Presidente da República e o filósofo nasceu uma correspondência no Telegram, talvez até uma influência. Através de uma destas mensagens de texto nocturnas, Bernard-Henri Lévy sugeriu ao Chefe de Estado, algumas semanas após o ataque de 7 de Outubro em Israel, a construção de uma coligação anti-Hamas no mesmo modelo daquela que visa a organização do Estado Islâmico. O jornal Libération ecoa isso, o 1é Dezembro daquele ano. A ideia é desconcertante. Ao assimilar o Hamas, um movimento islamo-nacionalista, ao Estado Islâmico, uma nebulosa jihadista transnacional, apanhou o Quai d’Orsay de surpresa e resultou num amargo fracasso diplomático. “As pessoas fazem filmes. Eles imaginam reuniões. Visitantes noturnos. Aproximações ideológicas planejadas. Quando somos apenas irmãos com insônia que não têm nada melhor para fazer, a partir de certo horário, do que bater um papo no Telegram.”coloca o escritor em perspectiva.
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