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A Síria e a inevitabilidade de transições fracassadas nos países da “Primavera Árabe”

euA Síria pós-Bashar Al-Assad procura um novo equilíbrio num contexto geopolítico de rara complexidade. Na verdade, está parcialmente ocupada por duas potências estrangeiras e ignorada por uma terceira. Israel, que ocupou e colonizou as Colinas de Golã na Síria desde a sua conquista em 1967, estendeu sua influência na zona tampão deixada pela Guerra do Yom Kippur em 1973. Os Estados Unidos têm forças especiais na parte oriental da Síria. No norte do país, a Turquia sonha em criar a sua própria zona tampão no território do seu vizinho.

Estes três países pretendem intervir militarmente na Síria como acharem adequado: o Estado Hebreu para impedir a reconstituição de um eixo xiita alargado no Líbano; os Estados Unidos para evitar o ressurgimento da organização Estado Islâmico; A Turquia conterá as forças curdas sírias ligadas, segundo Ancara, ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão.

Estas interferências estrangeiras são um primeiro obstáculo ao estabelecimento de uma nova ordem em Damasco, um pré-requisito essencial para a restauração da soberania síria. Existem outros. As tensões internas também devem ser temidas. Entre os jihadistas de ontem agora ligados a um projecto nacional e aqueles que, especialmente entre os combatentes estrangeiros, se recusam a fazê-lo; entre a coligação de libertadores predominantemente sunita e as comunidades curda e alauita, tendo esta última sido o pilar do regime caído. É provável que estas tensões pesem sobre a Síria com uma inevitabilidade árabe: a das revoluções e das transições falhadas, observáveis ​​desde a derrubada de Saddam Hussein no Iraque em 2003, obra dos Estados Unidos.

Contudo, as singularidades sírias permitem-nos nutrir um otimismo muito cauteloso. A primeira se deve ao fato de a queda da dinastia Assad, alcançada em 8 de dezembro pelas milícias síriasainda não teve o efeito que teve na Líbia Muammar Gaddafi durante a “Primavera Árabe” de 2011. Este último estava tão identificado com as instituições do país que estas desapareceram no seu rasto.

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