Na virada para 2025, milhares de latino-americanos começarão o ano como presos políticos, refletindo uma grave ameaça à democracia na região.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) define como presos políticos aqueles detidos por suas atividades políticas, opiniões ou oposição a governos, em processos frequentemente marcados por abusos de direitos humanos e julgamentos arbitrários —em muitos casos, na falta deles. Essas detenções ilustram o uso do poder estatal para silenciar dissidentes, comprometendo o Estado de Direito e restringindo liberdades fundamentais.
Na Venezuela, a repressão foi brutal após as eleições contestadas em julho. Manifestações pacíficas contra os resultados oficiais, considerados fraudulentos, levaram à detenção de milhares, incluindo mais de 300 menores de idade, mantidos em presídios de segurança máxima. Apesar de algumas libertações nas últimas semanas, mais de 1.800 pessoas permanecem encarceradas por razões políticas.
Relatórios do Foro Penal e de outras organizações respeitadas denunciam tortura, ausência de assistência jurídica e condições degradantes, ressaltando o agravamento da crise humanitária no país.
Em Cuba, o regime autoritário instaurado em 1959 intensificou a repressão nos últimos anos, especialmente após protestos inéditos em 2021. Mais de 1.100 presos políticos enfrentam condições severas, incluindo tortura e perseguições a familiares.
Jovens detidos durante as manifestações receberam penas desproporcionais, em alguns casos superiores à idade que tinham na época dos protestos. Jornalistas, acadêmicos e religiosos são alvos frequentes da repressão.
Enquanto isso, o exílio forçado tornou-se uma saída para milhares de cubanos que enfrentam rotas perigosas, incluindo o estreito de Darién, em busca de liberdade. O regime, apesar de reconhecer a veracidade dos números, diz que suas ações são necessárias para preservar a estabilidade nacional.
Na Nicarágua, a perseguição política que começou com força em 2018 não parou mais. O regime Ortega-Murillo promoveu detenções arbitrárias, tortura e deportações para eliminar a oposição. Em 2023, 222 presos políticos foram expulsos do país, seguidos por outros 135 em 2024.
Apesar dessas ações, ainda há 91 presos políticos enfrentando condições desumanas, com penas que chegam a 133 anos. A Igreja Católica também é alvo, com dezenas de clérigos presos ou exilados, denunciando perseguições e violações de direitos humanos.
Lá Fora
Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo
A Bolívia, embora apresente um grau menor de autoritarismo, ainda é motivo de preocupação. Desde 2019, denúncias apontam prisões politicamente motivadas e ausência de devido processo legal. Cerca de 300 pessoas continuam detidas por razões políticas, segundo organizações de direitos humanos, evidenciando uma escalada de práticas repressivas.
Esses exemplos mostram como governos autoritários na América Latina utilizam prisões arbitrárias como ferramenta de controle. A repressão a opositores, jornalistas e ativistas não apenas compromete direitos individuais, mas enfraquece instituições democráticas e ameaça o futuro político da região.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
