
Donald Trump desce lentamente os degraus da Capital One Arena, passando pela multidão extasiada de seus apoiadores reunidos na arena esportiva. Ele é o 47º presidente dos Estados Unidos há algumas horas, segunda-feira, 20 de janeiro, e carrega uma pasta preta na mão. No palco foi montada uma mesa com o selo presidencial. Foi lá que assinou, sob aplausos, uma série de decretos presidenciais cujo conteúdo foi resumido de forma concisa por um assessor. A encenação é inédita, entre um espetáculo desportivo e político, a de um novo poder extraordinário. Mostrando à multidão as suas primeiras assinaturas, Donald Trump deixou o palco atirando canetas, como um campeão de ténis em campo a rebater as bolas da vitória em direcção às bancadas.
Onda de choque, saturação das antenas: este foi o primeiro dia do 47º presidente, após a cerimônia de posse. Durante semanas, os seus assessores prepararam a opinião pública para uma ruptura clara, com uma enxurrada de decretos presidenciais. Aconteceu. No palco, Donald Trump começou por revogar setenta e oito decretos do seu antecessor, Joe Biden, relativos à redução do preço de certas drogas, aos programas de combate à discriminação e às sanções contra certos colonos judeus violentos na Cisjordânia. Depois anunciou – tal como em 2017 – uma retirada do acordo climático de Paris, que não é vinculativo. Washington também está deixando a Organização Mundial da Saúde.
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