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Coreia do Norte ratifica tratado histórico de defesa mútua com a Rússia | Notícias da guerra Rússia-Ucrânia

O tratado surge em meio a relatos de cerca de 11 mil soldados norte-coreanos sendo destacados para lutar na guerra da Rússia contra a Ucrânia.

A Coreia do Norte ratificou um tratado histórico de defesa mútua com a Rússia, anunciou a mídia estatal, à medida que cresce a preocupação internacional com o aumento da cooperação militar entre Moscou e Pyongyang.

Kim Jong Un, o líder da República Popular Democrática da Coreia – nome oficial da Coreia do Norte – assinou um decreto para ratificar o Tratado de Parcerias Estratégicas Abrangentes com a Rússia na segunda-feira. O acordo entrará em vigor quando ambos os lados trocarem os instrumentos de ratificação, segundo a agência de notícias oficial da Coreia do Norte, KCNA.

O tratado, assinado pela primeira vez em Pyongyang em 19 de junho, durante uma luxuosa visita de Estado do presidente russo, Vladimir Putin, obriga ambos os países a fornecerem assistência militar imediata um ao outro, utilizando “todos os meios” necessários, caso algum deles enfrente “agressão”.

Quando concordou com o acordo com Putin em Junho, Kim elogiou o acordo como um passo para elevar os laços bilaterais entre os dois países e descreveu o pacto militar como algo semelhante a uma “aliança” entre a Rússia e a Coreia do Norte.

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, à esquerda, e o presidente russo, Vladimir Putin, à direita, dirigem um carro Aurus em Pyongyang, Coreia do Norte, nesta imagem divulgada pela Agência Central de Notícias Coreana em 20 de junho de 2024 (KCNA via Reuters)

Parlamento da Rússia ratificou o tratado no dia 6 de novembro, em meio

meses de crescente cooperação em segurança com a Coreia do Norte, incluindo a alegada transferência de armas para a Rússia e o envio de milhares de soldados norte-coreanos para apoiar a guerra da Rússia na Ucrânia.

A inteligência sul-coreana, norte-americana e ucraniana afirmou que pelo menos 11 mil soldados norte-coreanos foram enviados para lutar na linha de frente contra as forças ucranianas. A maior parte das tropas norte-coreanas foi enviada para a região russa de Kursk, que tem estado sob controlo parcial ucraniano desde a incursão surpresa de Kiev em território russo, em Agosto.

Presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy disse na segunda-feira que Moscovo reuniu uma força de 50.000 soldados – incluindo soldados norte-coreanos – em Kursk, enquanto se prepara para lançar um grande ataque e recuperar o território perdido para as forças ucranianas na região que faz fronteira com a Ucrânia.

Moscovo e Pyongyang ainda não comentaram directamente a presença de soldados norte-coreanos na Rússia, mas as implicações de tal medida suscitaram preocupação entre a comunidade internacional e entre Membros da OTAN na Europa.

Zelenskyy condenou na semana passada a fraca resposta do Ocidente ao envolvimento de Pyongyang no conflito e alertou que uma “nova página de instabilidade no mundo” foi aberta depois de as forças do seu país terem envolvido tropas norte-coreanas em batalhas pela primeira vez, alegadamente infligindo baixas.

Para a Coreia do Sul, ainda tecnicamente em guerra com o seu vizinho do norte, a cooperação com a Rússia por parte do seu principal inimigo levantou receios de que Pyongyang pudesse receber tecnologia nuclear avançada de Moscovo em troca do seu apoio na Ucrânia.

O presidente sul-coreano, Yoon Suk-yeol, alertou no início deste mês que pode enviar armas para a Ucrânia se os soldados norte-coreanos não forem retirados da Rússia.

“Se a Coreia do Norte enviar forças especiais para a guerra na Ucrânia como parte da cooperação Rússia-Coreia do Norte, apoiaremos a Ucrânia em etapas e também revisaremos e implementaremos as medidas necessárias para a segurança na Península Coreana”, disse Yoon.



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