Matheus Leitão
Diplomatas argentinos ouvidos pela coluna afirmaram que Javier Milei atingiu seu principal objetivo na Cúpula do G20 no Rio de Janeiro ao se colocar, em um primeiro momento, como empecilho à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza ou ao cumprimentar com distanciamento o presidente Lula no encontro.
Na condição de anonimato, eles afirmaram que o objetivo do presidente argentino era “roubar a cena” na reunião das principais economias do mundo, sinalizando para os conservadores ao redor do mundo que a Argentina será uma pedra no sapato do esquerdista brasileiro.
Na avaliação do corpo diplomático daquele país, Milei conseguiu isso, mesmo aderindo tardiamente à aliança contra a fome, que agora tem o endosso de 82 países e 66 organizações internacionais sob a liderança do Brasil.
Milei retrocedeu defendendo o capitalismo de livre iniciativa como única forma de acabar com a pobreza mundial, mas também como “o único sistema moralmente desejável”.
A demora em assinar o documento chamou a atenção da imprensa internacional, mesmo que de forma negativa, e a assinatura veio cheio de recados que parecem muito com o discurso trumpista. O cumprimento de forma fria, que também chamou a atenção, teria sido a cereja no bolo, mesmo com o legado deixado pelo Brasil e Lula na aliança contra a fome.
