Ícone do site Acre Notícias

em torno dos ataques do Bataclan, o parasita da dor

Chris (Laure Calamy), na série “Um amigo devotado”, criada por Fanny Burdino, Samuel Doux, Alexandre Kauffmann e Jean-Baptiste Delafon.

MAX – SOB DEMANDA – SÉRIE

Tecendo mentiras na trama da existência, os impostores da vida real naturalmente encontram seu lugar na ficção – Frank Abagnale Jr, que assume as feições de Leonardo DiCaprio em Me pegue se puder (2002), de Steven SpielbergJulia Garner que se torna Anna Sorokin em a série Inventando Anna (2022). O que estes virtuosos da reinvenção têm em comum é que visaram pessoas que são suficientemente ricas para que não estejamos demasiado preocupados com o seu destino.

Christelle, a amiga devotada no centro da primeira série francesa oferecida pela plataforma Max, não se beneficia desta circunstância atenuante. Pobre menina, ela vai atacar alguém mais infeliz do que ela. Enquanto seus colegas geralmente exploram o lucro ou a vaidade de seus contemporâneos, Chris (ela prefere ser chamada assim) torna-se o parasita do sofrimento.

Inspirado por uma investigação jornalística – O Mitomaníaco do Bataclan (Pontos, 2021), de Alexandre Kauffmann, que contribuiu no roteiro –, Um amigo dedicado oferece um espetáculo necessariamente doloroso, o de uma mulher à deriva que tenta ter acesso ao conforto material e emocional escorregando entre as vítimas dos atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris, sobreviventes dos atentados ou familiares dos mortos e feridos.

Parte do mistério

É preciso toda a inteligência e alcance do intérprete para superar a ingratidão do papel. Laure Calamy consegue focar a atenção em Chris, sem oferecer uma explicação linear de seu comportamento aberrante, preservando um elemento de mistério. A produção de Just Philippotrigoroso, evoca com sobriedade o clima de espanto e tristeza que envolveu o país depois do 13 de novembro. Não podemos imaginar uma série mais fúnebre e mais perturbadora.

No outono de 2015, Chris, uma mulher de quarenta anos vestida como uma adolescente dos anos 1990, mora com a mãe (Imagem: Instagram)Anne Benoît, maravilhosa de raiva impotente) nos subúrbios de Paris. Uma viagem frustrada à capital deu-lhe a impressão (amplamente partilhada naquela noite) de ter escapado ao pior. Em vez de fazer disso, como os mortais comuns, assunto de conversa (para isso precisaria ter com quem conversar), ela inventa, nas redes sociais, uma amizade antiga e inabalável para uma das vítimas.

Laure Calamy transmite o tipo de selvageria que habita esta mulher sem futuro quando lhe é oferecida a possibilidade de encontrar um lugar de escolha na sociedade. Desde o primeiro episódio, ela se insinua na intimidade de uma sobrevivente (Annabelle Lengrone), dando liberdade, segundo a sua campanha de sedução, ao impulso destrutivo que acompanha (e muitas vezes dificulta) o seu desejo de integração.

Você ainda tem 40,41% deste artigo para ler. O restante é reservado aos assinantes.



Leia Mais: Le Monde

Sair da versão mobile