A estátua do ambientalista Chico Mendes, que fica na Praça Povos da Floresta, no Centro de Rio Branco, foi arrancada por vândalos na última sexta-feira (1º). O crime foi denunciado pela filha do ambientalista Ângela Mendes nas rede sociais.
Na noite desse sábado (2), Ângela gravou um vídeo no local mostrando que a estátua ainda continuava no chão. Ela fez um desabafo e pediu providências do poder público.
“Essa é a cena desde ontem [sexta-feira,1]. A estátua do meu pai totalmente abandonada. A gente está percebendo claramente qual a importância que esse governo tem dado à trajetória, a história do ambientalismo no estado e no Brasil. A gente está falando da imagem do patrono nacional do meio ambiente, uma pessoa reconhecida nacional e internacionalmente, mas que aqui, em seu estado, é tratado com todo esse descaso”, lamentou.
A Polícia Civil confirmou, neste domingo (3), que tomou conhecimento do fato na manhã desse sábado e já tomou “providências indo ao local do crime, realizando perícia técnica e dando início às diligências no sentido de identificar o(s) autor(es) da prática delituosa.”
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Imagem de Chico Mendes sofre com ação de vândalos em Rio Branco — Foto: Reprodução
Descaso
Chico Mendes foi morto com um tiro de escopeta em 22 de dezembro de 1988 enquanto tomava banho nos fundos de casa, uma semana antes, o líder seringueiro havia completado 44 anos. Chico Mendes, que morava em Xapuri, cidade do interior do Acre, é conhecido nacionalmente e internacionalmente como ativista ambiental.
Ângela disse que a família não tem ideia quem praticou a ação criminosa, mas desconfia que o motivo não era furtar a imagem e sim desrespeitar a memória do ambientalista.
“Acho isso uma falta de respeito muito grande com a memória ambiental desse país, do Estado. Chico projetou o nome do Acre para o mundo, e hoje estamos vendo o desrespeito e como a memória dele está sendo tratada. Isso não é nenhuma novidade para a gente, no atual governo existe essa tentativa real de apagamento da história e memória do meu pai”, criticou.
A ambientalista relembrou também sobre a casa de Chico Mendes que está fechada e cercada de mato há anos. Em março deste ano, o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) afirmou que tanto o terreno como a estrutura do imóvel precisam passar por novas obras de revitalização.
O instituto destacou que há o risco de erosão no terreno e serão feitas barreiras de contenção. Essa obra envolve ainda parte da rua e do calçamento. Esse é um dos projetos em andamento e é avaliado em mais de R$ 300 mil.
“Espaços importantes da cultura e memória do nosso estado estão destruídos. É o resultado de um governo que não tem compromisso com a cultura, com a arte, com a história e é isso o que estamos vivendo em nosso estado e país”, lamentou Ângela.
