
Repetidamente. Uma semana depois da chegada da parte “receitas” do orçamento à Câmara, é o projeto de lei de financiamento da Segurança Social (PLFSS) para o ano de 2025 que os deputados deveriam começar a analisar, segunda-feira, 28 de outubro. E o governo se encontra mais ou menos na mesma situação. Numa votação unânime, a Comissão dos Assuntos Sociais, composta por deputados de todas as partes, rejeitou de facto o PLFSS na sexta-feira, 25 de outubro.
A aprovação do texto em comissão foi uma oportunidade para os governantes eleitos mostrarem a sua feroz oposição ao projecto do governo. Os debates prometem, portanto, ser acalorados no Hemiciclo, e parece muito provável o recurso ao artigo 49.3 da Constituição para que o orçamento da “Secu” seja aprovado sem votação. Na segunda-feira, os deputados partirão da versão inicial do texto. Na comitiva do Ministro do Orçamento, Laurent Saint-Martin, garantimos que continuamos “determinado” reduzir o défice, apesar dos debates em comissão “não está à altura do desafio de restaurar as nossas finanças públicas”.
Muitas disposições do texto foram alteradas. Assim, entre as vias que deveriam dar origem a debates acirrados estão as reduções nas contribuições patronais. Inspirando-se no relatório sobre o assunto apresentado quinta-feira, 3 de outubro, por os dois economistas Antoine Bozio e Etienne Wasmero governo planeia modificar este sistema para incentivar os empregadores a aumentar os salários. A rejeição é ainda mais forte para o executivo porque partiu do bloco central.
Em aliança com o Rally Nacional (RN), autoridades eleitas do Ensemble pour la République e de grupos da Direita Republicana apagaram o artigo na comissão. Uma medida que deveria arrecadar 4 mil milhões de euros ao atacar o sistema de isenções de contribuições patronais. O governo pretende aumentar estas contribuições em dois pontos entre 1 e 1,3 salários mínimos e parar as reduções em 3,2 salários mínimos em vez dos atuais 3,5.
“Não em detrimento dos nossos reformados”
E “sinal muito ruim”enviado pelo governo, segundo o deputado renascentista de Gers, Jean-René Cazeneuve, julgando que isso produziria “inevitavelmente um aumento nos custos trabalhistas”. Apenas a esquerda votou a favor do artigo. “Aqui estamos, à esquerda, parcialmente aliados de Bercy, é algo bastante excepcional”brincou o deputado (La France insoumise) de Haute-Garonne, Hadrien Clouet.
Como esperado, formou-se quase unanimidade para contrariar a vontade do governo de adiar por seis meses a reavaliação das pensões de reforma, para 1é Julho de 2025. Uma medida que deverá poupar ao Estado quase 4 mil milhões de euros mas que suscita oposição de todos os lados. “Queremos medidas estruturais, mas que isso não seja feito em detrimento dos nossos reformados”, indicou o deputado de Les Républicains (LR) por Meurthe-et-Moselle, Thibault Bazin. “Não podemos fazer poupanças assim de forma indiscriminada, especialmente para reformados cuja situação económica é muito diferente”apelou a deputada ambientalista de Paris Sandrine Rousseau. Do lado do RN, o deputado do Loiret Thomas Ménage acusou o governo de “quebrar a confiança entre os aposentados e o Estado”.
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