Novo alerta sobre produtos de alisamento. As autoridades de saúde francesas reiteraram na quinta-feira, 23 de janeiro, a sua recomendação de não usar produtos para alisamento de cabelo que contenham ácido glioxílico porque podem causar insuficiência renal aguda. Querem que a União Europeia (UE) decida sobre a limitação, ou mesmo a proibição, desta substância nos cosméticos.
Em meados de outubro, a Agência Nacional de Segurança Alimentar, Ambiental e de Saúde Ocupacional (ANSES) desaconselhou os salões de cabeleireiro e as pessoas físicas a usar os chamados produtos de alisamento brasileiros e as empresas a não vendê-los. A ANSES agiu então por precaução, enquanto aguardava as conclusões de uma perícia, após três relatos de efeitos adversos graves em mulheres que fizeram alisamento brasileiro em salão de cabeleireiro.
Em um aviso publicado quinta-feira e também com base em estudos científicos, a agência julga “altamente provável” que o ácido glioxílico causou estes três casos de insuficiência renal aguda – passando para a corrente sanguínea através do couro cabeludo, transforma-se em cristais de oxalato de cálcio, danificando os rins.
Uma avaliação de risco recomendada
A ANSES recomenda, portanto, que seja realizada uma avaliação de risco a nível europeu, “limitar ou mesmo proibir o uso desta substância”cujo conteúdo pode chegar a 25% em produtos para os cabelos. Ela também deseja que sejam identificados outros produtos que possam “degradar em ácido glioxílico” et “provavelmente libera formaldeído, uma substância cancerígena, durante a fase de aquecimento do cabelo”.
Uma vez transmitido este parecer pelas autoridades francesas, a Comissão Europeia terá de submeter o assunto ao seu Comité Científico para a Segurança do Consumidor (CSSC), o único autorizado a regular a utilização de uma substância através do regulamento europeu sobre cosméticos. Até à data, o ácido glioxílico nunca foi avaliado a nível da UE e a sua utilização não está regulamentada nem limitada.
Por outro lado, em Israel, os produtos para alisamento de cabelo que contêm ácido glioxílico foram proibidos desde 2022 – “mas não aqueles que contêm derivados”especifica ANSES. Neste país, de 2019 a 2022, foram identificados 26 casos de insuficiência renal aguda grave, na sequência da utilização de produtos para alisar o cabelo (causando dores abdominais e lombares, náuseas, vómitos, erupções cutâneas) e considerados atribuíveis a esta substância. Tal como em França, após a reidratação dos pacientes, a função renal voltou ao normal.
O ácido glioxílico também é utilizado na composição de produtos de limpeza e móveis – principalmente inibe a corrosão – ou de curtumes.
O mundo com AFP
