UMpós a rejeição da moção de censura na quinta-feira, 16 de janeiro, pelo Parlamento, François Bayrou deveria ser levado mais a sério. Na verdade, não devemos ver um futuro Michel Barnier, mas sim um anti-Barnier.
A primeira razão deve-se ao facto de Bayrou, ao contrário de Michel Barnier, pensar que a esquerda representa uma corrente significativa na Assembleia Nacional eleita em Julho de 2024. E isto mesmo que apenas tenha considerado os seus resultados nas eleições legislativas deveriam ter abriu-lhe as portas de Matignon, sendo as suas possibilidades de encontrar uma maioria, para dizer o mínimo, muito fracas. Na verdade, esta possibilidade foi eliminada tanto pelos excessos de Jean-Luc Mélenchon na noite do segundo turno, 7 de julho de 2024, quanto pelos o fracasso do candidato comunista André Chassaigne, em 18 de julho, no poleiro apesar de seu perfil republicano impecável.
Apesar disso, o Sr. Bayrou sempre sentiu que não poderíamos esconder-nos atrás da abordagem do líder “rebelde” para desqualificar a esquerda como um todo. Ao contrário de Michel Barnier, ele decidiu não ignorá-lo. O Sr. Bayrou sabe que a França é movida por dois fortes impulsos políticos: ordem e justiça social. A primeira é hoje encarnada pelo Ministro do Interior, Bruno Retailleau. A segunda é transpartidária e vai da La France insoumise (LFI) ao Rally Nacional (RN), passando talvez pelas demais forças políticas. Na verdade, a reforma previdenciária de 2023 pode ser racionalmente considerada a melhor. Mas é claro que isso ainda não passa e não passará para a opinião pública sem ajustes.
Uma perspectiva
François Bayrou concordou, portanto, em reabrir este site. Certamente, uma conferência social não garante nem sucesso nem fracasso, mas dizer que os empregadores não têm interesse em tal negociação, sob o pretexto de que um não acordo permitiria um regresso à lei Borne, reflecte uma visão estática que ignora a dinâmica de negociação. Porque os empregadores sabem muito bem que a instabilidade é perigosa, enquanto alguns sindicatos reformistas terão todo o prazer em deixar esta reforma para passar a outros assuntos.
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