Primeiro Ministro da Itália Geórgia Meloni e o seu governo estão sob ataque devido à libertação de um senhor da guerra líbio devido a um detalhe técnico, depois de ter sido preso com base num mandado de o Tribunal Penal Internacional (TPI) acusando-o de crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
O tribunal com sede em Haia, por seu lado, emitiu uma resposta mais diplomática, mas a sua raiva parecia evidente.
Num comunicado, o TPI lembrou à Itália que é obrigado a “cooperar totalmente” com os seus processos e disse que ainda aguarda informações sobre o que exatamente Roma fez.
Isto ocorreu depois de o governo italiano ter libertado e enviado de volta para casa Ossama Anijem, também conhecido como Ossama al-Masri, que dirige a secção de Trípoli da Instituição de Reforma e Reabilitação, uma notória rede de centros de detenção geridos pelas Forças Especiais de Defesa apoiadas pelo governo.
Al-Masri foi preso no domingo em Torino, onde teria assistido ao jogo de futebol Juventus-AC Milan na noite anterior.
O mandado do TPI, datado do dia anterior, acusava al-Masri de crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos na prisão de Mitiga, na Líbia, a partir de 2015, puníveis com prisão perpétua.
Segundo o TPI, al-Masri foi acusado de homicídio, tortura, violação e violência sexual.
O mandado foi transmitido aos Estados-membros no sábado, incluindo a Itália, disse o TPI, acrescentando que o tribunal também forneceu informações em tempo real de que ele havia entrado na Europa.
Mas o tribunal de apelações de Roma ordenou a libertação de al-Masri na terça-feira, e ele foi enviado de volta à Líbia a bordo de um avião dos serviços secretos italianos por causa do que o tribunal de apelações considerou ter sido um erro processual na sua prisão.
‘Um golpe impressionante’ para as vítimas
A decisão dizia que o Ministro da Justiça, Carlo Nordio, deveria ter sido informado com antecedência, uma vez que o Ministério da Justiça trata de todas as relações com o TPI.
Grupos de direitos humanos criticaram a Itália por ter deixado al-Masri partir.
“Este é um golpe impressionante para as vítimas, os sobreviventes e a justiça internacional”, afirmou Esther Major, vice-diretora de investigação para a Europa, da Amnistia Internacional, chamando-o de uma “oportunidade perdida para quebrar o ciclo de impunidade na Líbia”.
A Itália tem laços estreitos com o governo internacionalmente reconhecido de Trípoli, de quem depende para patrulhar as suas costas e impedir a saída de vagas de migrantes.
Um julgamento de al-Masri em Haia poderá chamar a atenção indesejada para as políticas migratórias de Itália e o seu apoio à guarda costeira líbia, que financiou para impedir a saída de migrantes.
Grupos de direitos humanos documentaram abusos graves nos centros de detenção da Líbia onde os migrantes são mantidos e acusaram a Itália de ser cúmplice dos seus maus-tratos.
ftm/jcg (dpa, AP)
A escravidão moderna está aumentando em todo o mundo
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