Carolina Casarin
No tapete vermelho do Globo de Ouro neste domingo (5), predominaram looks clássicos e elegantes. Numa noite que celebrou o talento e a beleza de mulheres com mais de 50 anos, chamaram a atenção silhuetas, acessórios e penteados que fazem referência ao glamour das décadas de 1950 e 1960, período conhecido como a era de ouro de Hollywood.
É curioso que foram as atrizes mais novas que colocaram em cena os looks de diva vintage. Foi o caso de Zendaya, com um vestido Louis Vuitton laranja acetinado, decote de coração, como visto nos maiôs dos anos 1950, e os cabelos penteados num corte chanel armado.
Emma Stone, também usando Louis Vuitton, um vestido vermelho tomara que caia com cabelos bem curtos, lembrou Mia Farrow nos anos 1960. Houve ainda Margaret Qualley com um vestido Chanel clássico, cheio de camadas de tule branco esvoaçante, com laço preto discreto na cintura e penteado vintage; Selena Gómez de Prada num vestido azul-claro com decote canoa e penteado dos anos 1950; e Ariana Grande, que optou por um vestido Givenchy de 1966.
Outro elemento de glamour vintage foi o uso de luvas compridas, acessório chiquérrimo que tem reaparecido nas passarelas da alta-costura mundo a fora. De Glenn Close vestida de Balmain a Pamela Anderson usando Oscar de la Renta, passando por Kerry Washington, deslumbrante num vestido rosa-pink Balenciaga, Cristin Millioti e Ariana Grande, as luvas deram um aspecto sóbrio e sensual à aparência.
Seios decotados e colos à mostra também marcaram presença no tapete vermelho, caso do vestido preto de veludo usado por Janelle James, acompanhado por longas luvas pretas. O vestido é assinado pelo designer americano Christian Siriano, que também foi a opção de Liza-Colón Zayas e Jonathan Van Ness, como um maravilhoso vestido longo verde-garrafa, provocando a estrutura tradicional da roupa ocidental, especialmente em situações formais como essa, em que homens usam calça, e mulheres, saia.
Smokings e ternos, como esperado, predominaram nos looks masculinos. Paletós e conjuntos feitos de veludo deram pinta em Los Angeles, especialmente aqueles da marca Giorgio Armani, como os usados por Daniel Craig e Glen Powell, que arriscou umas lapelas pontuas. Foi interessante observar um ou outro que ousou ternos monocromáticos e coloridos, como Andrew Scott vestido de Vivienne Westwood, todo de azul-turquesa, até a gravata. Mas o mais elegante da noite foi Colman Domingo, vestindo Valentino.
Cate Blanchet, por fim, merece uma menção à parte. Estava com o mesmo vestido Louis Vuitton usado no Festival de Cannes, no ano passado, com uma pequena modificação. Repetir roupa é uma atitude política na moda, ainda mais se a gente pensa nos tapetes vermelhos de eventos de tamanha importância, como o do festival francês e o da premiação americana.
Também é preciso destacar o visual magnífico de Cinthya Erivo, que usou uma roupa Louis Vuitton decotada, com a cabeça e as sobrancelhas raspadas e unhas luxuosas, que demoraram cinco horas para serem feitas.”
Mas a comemoração foi delas, as indicadas ao prêmio de melhor atriz de drama no cinema: Pamela Anderson com “The Last Showgirl”, de Oscar de la Renta; Angelina Jolie por “Maria”, com um Alexander McQueen; Nicole Kidman com “Babygirl”, de Balenciaga; Tilda Swinton por “O Quarto ao Lado”, de Chanel; Kate Winslet com “Lee”, de Erdem.
E, é claro, nossa diva brasileira, Fernanda Torres, que usou um vestido preto discreto, lindo e elegante assinado por Olivier Theyskens, com decote profundo nas costas. Independentemente do resultado, a noite é de comemoração e celebração da beleza e do talento de mulheres que dedicaram suas vidas à sétima arte.
