
O presidente cessante da Croácia, Zoran Milanovic, apoiado pelo Partido Social Democrata (SDP) e crítico feroz dos conservadores no poder, está em posição de vencer as eleições presidenciais na primeira volta, de acordo com uma sondagem à saída publicada no domingo, 29 de Dezembro, no próximo dos locais de votação.
De acordo com esta pesquisa de opinião realizada pelo instituto Ispos e transmitida pela televisão nacional (HRT), Milanovic sairia bem à frente do primeiro turno com 51,48% dos votos, à frente do candidato dos conservadores no poder ( HDZ), Dragan Primorac, que conquistaria 19,29% dos votos.
Os resultados oficiais serão divulgados ainda esta noite. Se confirmarem, esta vitória no primeiro turno de Milanovic seria uma surpresa. Certamente, o presidente cessante foi favorecido por todas as sondagens, mas estas anteciparam a sua vitória na segunda volta. A última, datada de sexta-feira, creditou-lhe 37% das intenções de voto no primeiro turno.
Desde que a Croácia proclamou a sua independência em 1991, apenas Franjo Tudjman, considerado o pai da independência, conseguiu vencer as eleições presidenciais na primeira volta, em 1992 e 1997.
Abstenção e inflação
Os croatas votaram muito menos no domingo do que nas eleições legislativas de Abril. Por volta das 16h30, duas horas e meia antes do encerramento das assembleias de voto, a participação era de apenas 36%, face aos quase 39% na mesma hora de 2019, e face aos 50,6% das últimas eleições legislativas. Essa baixa participação também pode ser explicada pela data da votação, entre o Natal e o Ano Novo, quando muita gente está de férias.
A votação ocorreu num contexto de inflação elevada, corrupção generalizada e escassez de mão de obra.
Na Croácia, o presidente é o chefe das forças armadas e é o representante na cena internacional deste país de 3,8 milhões de habitantes, membro da União Europeia (UE) e da NATO. Embora tenha poucos poderes, é visto pelos croatas como garante do equilíbrio de poderes.
Antigo líder do SDP e primeiro-ministro, Milanovic é um político de fala perspicaz que deixou de prometer uma Croácia “progressista, moderno e aberto”no início do seu atual mandato, à retórica populista. Denunciou a agressão russa contra a Ucrânia, ao mesmo tempo que criticou a ajuda militar prestada pelo Ocidente a Kiev. A Croácia ainda forneceu ajuda à Ucrânia, especialmente ajuda militar, no valor de 300 milhões de euros.
Esta política levou-o a ser descrito pelo Primeiro-Ministro Conservador como “pró-Rússia” Quem “destrói a credibilidade da Croácia junto da NATO e da UE”. Zoran Milanovic diz que quer evitar que a Croácia seja “arrastado para a guerra” uma Ucrânia. “Enquanto eu for presidente, nenhum soldado croata lutará nas guerras de outros”ele declarou.
O mundo com AFP
