
O Estado senegalês retirou o opositor Barthélémy Dias, presidente da Câmara de Dakar, das suas funções municipais devido a uma condenação por homicídio que remonta a 2011, segundo um decreto municipal publicado sexta-feira, 13 de dezembro nas redes sociais e confirmado à Agence France-Presse (AFP) por sua comitiva. “Declaro que renunciou ao seu mandato como conselho municipal da cidade de Dakar na data da notificação” da medida, indica o despacho do prefeito de Dakar datado de quarta-feira.
A revogação do título de conselho municipal implica automaticamente o de prefeito de Dakar, disseram à AFP dois especialistas em textos relativos às autoridades locais. Senegal. As autoridades não comentaram publicamente o assunto. O prefeito de Dacar “bem recebido” os documentos que o informam de sua destituição do cargo de vereador, disse um membro de sua comitiva à AFP na sexta-feira, sem comentários, por telefone.
Barthélémy Dias, figura política nacional, deverá realizar uma conferência de imprensa à tarde. Ele declarou em 9 de dezembro que resistiria a possíveis tentativas do novo governo de destituí-lo do seu mandato à frente da capital senegalesa. Já no dia 6 de dezembro, a Assembleia Nacional destituiu-o do mandato parlamentar, a pedido do Ministério da Justiça, devido a uma condenação por homicídio doloso pronunciada em 2017, confirmada em recurso em 2022 e validada pelo Supremo Tribunal em 2023.
Barthélémy Dias foi eleito presidente da Câmara de Dakar em 2022 numa coligação que o aliou aos Patriotas Africanos do Senegal pelo Trabalho, Ética e Fraternidade (Pastef), partido de Ousmane Sonko, na altura adversário do Presidente Macky Sall. Milímetros. Dias e Sonko se desentenderam em 2023 com as eleições presidenciais no horizonte. Sonko elegeu o seu segundo em comando, Bassirou Diomaye Faye, para a presidência em março de 2024 e foi nomeado chefe do governo em abril. O duro confronto político entre MM. Sonko e Dias deram origem a incidentes durante a campanha para as eleições legislativas de Novembro, vencidas sem dificuldade pelo lado do primeiro-ministro.
O mentor de Barthélémy Dias, Khalifa Sall, foi destituído do cargo de presidente da Câmara por decreto presidencial em 2018, na sequência de uma condenação por peculato.
O mundo com AFP
