
A historiadora Bibia Pavard é coautora da obra Não nos liberte, nós cuidaremos disso. Uma história dos feminismos de 1789 até os dias atuais (La Découverte, 2020) e docente na Universidade de Paris-II Panthéon-Assas. Por ocasião do 50º aniversário da a lei que descriminalizou o aborto, defendida por Simone Veil, então ministra da Saúdepromulgada em 17 de janeiro de 1975, analisa as mobilizações que levaram à legalização e explica como a aquisição desse direito é fundamental na história dos movimentos feministas.
Quando é que a questão da interrupção voluntária da gravidez (aborto) se torna uma questão ativista importante? Que lugar ocupa esta luta nas lutas feministas?
Foi realmente no final da década de 1960 e no início da década de 1970 que o aborto se tornou uma questão feminista central, tanto em França como noutros lugares. Houve de facto pioneiras que falaram da maternidade livre desde o início do século XX, nomeadamente Nelly Roussel ou Madeleine Pelletiermas são uma minoria muito pequena.
Simone de Beauvoir também destaca a hipocrisia do aborto em O Segundo Sexo (publicado em 1949) mas é verdadeiramente com a emergência dos movimentos de libertação das mulheres que o acesso à contracepção e ao aborto é entendido como uma condição necessária para as mulheres controlarem os seus corpos. Rejeita-se o controle de políticos, juízes, policiais. O aborto clandestino é denunciado como violência inaceitável pelas feministas.
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