Nicarágua O parlamento deu na sexta-feira luz verde para uma reforma constitucional que dá mais poder ao presidente Daniel Ortega e à sua já poderosa esposa.
Os críticos denunciaram a alteração como uma ferramenta para transformar o país centro-americano numa ditadura de facto.
O que sabemos sobre a reforma?
A reforma, que foi enviada ao Congresso na terça-feira “com urgência”, foi aprovada por unanimidade por 91 legisladores na Assembleia Nacional, que está sob o controle do partido governista FSLN, de Ortegas.
A emenda amplia o mandato do presidente de um ano para seis anos, eleva a esposa Rosario Murillo ao cargo de “copresidente” e aumenta o controle conjunto da dupla sobre o estado. Murillo é atualmente vice-presidente.
Alguns analistas acreditam que a mudança garante que Murillo e o filho do casal, Laureano Ortega, sucederiam Daniel Ortega como líderes. A reforma foi amplamente criticada internacionalmente.
Luis Almagro, chefe da Organização dos Estados Americanos, um órgão diplomático regional, descreveu esta semana a medida como “uma forma aberrante de institucionalizar a ditadura conjugal”.
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A reforma também aumenta o poder dos militares e da polícia do país e dá ao Estado mais controlo sobre os meios de comunicação social e a Igreja, para evitar que caiam nas mãos de “interesses estrangeiros”.
Estipula que “traidores da pátria” podem ser despojados de sua cidadaniao que Ortega já fez na prática.
A constituição revista definirá a Nicarágua como um estado “revolucionário” e socialista.
Também incluirá como símbolo nacional a bandeira vermelha e preta do FSLN – um grupo guerrilheiro que se tornou partido político que derrubou o ditador apoiado pelos EUA. Anastácio Somoza em 1979.
A emenda deve ser aprovada uma segunda vez em fevereiro antes de entrar em vigor.
Ortega governa há quase três décadas
Ortega, de 79 anos, governa a Nicarágua há 28 anos, tendo chegado ao poder pela primeira vez em 1979, após a queda do ditador. Anastácio Somoza.
Ele foi afastado do cargo em 1990, mas retornou como chefe de estado e de governo em 2007.
Os críticos do governo de Ortega dizem que ele e a sua esposa de 73 anos já exercem o poder absoluto há anos, aumentando gradualmente o controlo de todos os sectores do Estado.
Eles descrevem a Nicarágua como sendo governada por uma ditadura nepotista, que prendeu centenas de oponentes de Ortega.
O governo reprimiu violentamente os protestos antigovernamentais em 2018. Nações Unidas estima que mais de 300 pessoas morreram na repressão, com milhares de nicaragüenses fugindo para o exílio.
O regime de Ortega está sob o domínio dos EUA e da UE sançõesenquanto vários paísesincluindo o Vaticanoter cortar laços com Manágua.
Um relatório publicado em Setembro pelo Gabinete dos Direitos Humanos da ONU (ACNUDH), com sede em Genebra, alertou para uma “grave” deterioração dos direitos humanos sob o governo de Ortega.
O relatório citou prisões arbitrárias, tortura, maus-tratos na detenção, aumento da violência contra os povos indígenas e ataques à liberdade religiosa.
mm/dj (AFP, dpa, Reuters)
