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A direita precisa mais de Nikolas do que de Malafaia

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A direita precisa mais de Nikolas do que de Malafaia

Thomas Traumann

O segundo fracasso consecutivo nas manifestações pró-anistia de Jair Bolsonaro indicam que está se esgotando a tática agressiva do pastor Silas Malafaia. Promotor do evento na Avenida Paulista neste domingo, Malafaia tem por estilo ameaçar aliados indecisos com uma suposta ira divina dos eleitores evangélicos. Nada comprova que a chantagem de Malafaia seja real, com o voto evangélico se mostrando independente das vontades do pastor. Neste domingo, as ameaças de Malafaia foram dirigidas ao presidente da Câmara, Hugo Motta, justamente o responsável por decidir se o projeto da anistia vai ser votado.

Motta foi chamado de “vergonha da Paraíba” (seu estado natal) e foi ameaçado por Malafaia. “O caldeirão da pressão vai aumentar. E quando um povo se revolta, ninguém segura. E esse é um perigo”, afirmou. Em 2019 e 2020, os bolsonaristas fizeram dezenas de atos ameaçando o então presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e tudo que conseguiram foi estragar suas relações com Bolsonaro. Motta havia afirmado que colocaria o tema na pauta se seis líderes de partidos topassem. O Partido Liberal só conseguiu quatro.

Os números dos eventos em Copacabana no mês passado (menos de 30 mil pessoas, segundo o PoderData) e deste no domingo na Paulista (60 mil) mostram, no entanto, que essa ‘revolta popular’ existe mais na cabeça de Malafaia do que nas ruas.

Jair Bolsonaro segue sendo a liderança inconteste da oposição, mas não existe hoje um sentimento nacional em sua defesa para além dos fanáticos de sempre.

Por isso mesmo, o evento na Paulista lembrou as situações constrangedoras nos quais parentes visitam um tio rico e doente apenas pelo interesse de serem incluídos na herança. Os quatro governos pré-candidatos a presidente — Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ratinho Junior e Ronaldo Caiado — estiveram em São Paulo apenas para mostrarem fidelidade a Bolsonaro para serem lembrados quando ele for obrigado a abandonar a disputa presidencial.

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Se a manifestação sugere que Malafaia tem limites, ela também aponta que a saída da direita está no talento do deputado Nikolas Ferreira. Na quinta-feira (3), o deputado postou em suas redes sociais um vídeo que começa com a história de Rosa Parks, a heroína do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos. Após falar da injustiça das vergonhosas leis de segregação racial e seu fim por meio da luta, Nikolas passa a citar casos de condenados pelo STF pelo vandalismo de 8 de Janeiro. Em um texto bem concatenado, o deputado distorce informações e faz comparações sem nexo para confundir uma causa nobre da década de 1950 com um casuísmo contra a democracia em 2025. Deu certo.

O vídeo em favor da anistia segue o mesmo formato de outro, de janeiro, que levou à crise do Pix e impôs uma derrota ao governo Lula. Em menos de 24 horas, o vídeo tinha 24 milhões de visualizações na sexta-feira, de acordo com medição da consultoria Bites. Diante do desinteresse da população pela anistia e com dificuldades para emplacar o projeto no Congresso, o bolsonarismo precisa ser mais Nikolas e menos Malafaia.



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Frase do dia: Ciro Gomes

Matheus Leitão

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“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social) 


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Felipe Barbosa

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A articulação para mudar quem define o teto de jur…

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A articulação para mudar quem define o teto de jur...

Nicholas Shores

O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN). 

A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica. 

Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.

A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira. 

Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.

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Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios. 

Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.

A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.

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Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.

Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.

Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.

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Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.

Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.



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