POLÍTICA
A guerra de versões entre os ex-comandantes das Fo…
PUBLICADO
9 meses atrásem
Marcela Mattos
Nos próximos dias, o processo sobre uma tentativa de golpe após as eleições de 2022, em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF), deve ser palco de embates e de uma guerra de versões entre os principais envolvidos no caso.
Entre os personagens deste jogo de empurra estão os ex-comandantes das Forças Armadas durante o governo de Jair Bolsonaro. Inicialmente, todos eles foram considerados suspeitos em uma trama golpista. No entanto, os ex-chefes da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Júnior, e do Exército, Marco Antônio Freire Gomes, acabaram sendo descartados das investigações.
Os dois prestaram depoimento à Polícia Federal e admitiram que receberam de Bolsonaro uma proposta de decreto que previa a prisão de ministros do Supremo e de autoridades, forçaria a necessidade de convocação das Forças Armadas e de novas eleições. Ambos disseram rechaçar qualquer intento golpista, mas jamais trouxeram o assunto à tona.
Inicialmente investigados por omissão, eles ponderaram que aderiram a uma estratégia de ganhar tempo: permaneceram no posto, evitaram qualquer movimentação das tropas e, ao fim, barraram qualquer trama golpista. O temor principal, disseram, era o de que fossem trocados por comandantes dispostos a aderir ao plano do ex-presidente caso tivessem uma reação mais incisiva.
Já o ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, é apontado como o único que teria concordado com a proposta de Bolsonaro e que teria dito que as suas tropas estariam à disposição. Ele foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e tornado réu pelo Supremo Tribunal Federal.
Versões
Nessa condição, o almirante Almir Garnier já trabalha com a hipótese de cair atirando. Em conversas reservadas, ele pondera que apenas acataria ordens demandadas pelo ex-presidente que fossem constitucionais. E afirma que, no limite, pode tentar desmascarar alguns militares que agora estão posando de “legalistas”, mas que teriam se encantado com uma virada de mesa proposta por Bolsonaro.
Também há divergências entre os outros dois comandantes. Baptista Junior, ex-chefe da Aeronáutica, narrou em depoimento que bateu de frente com Bolsonaro contra qualquer movimento de ruptura e ainda que o chefe do Exército, general Freire Gomes, disse que teria de prender o então mandatário caso ele levasse adiante a proposta golpista – uma ameaça que, de tão grave, é pouco crível.
Essa versão não é confirmada nem pelo próprio general, que em depoimento disse apenas que alertou o então presidente que ele poderia ser responsabilizado penalmente caso levasse a proposta adiante.
Interlocutores de Freire Gomes pontuam que o brigadeiro Baptista estava sem advogado quando falou com os investigadores, o que pode ter ensejado falhas ou interpretações equivocadas. “O depoimento do [comandante] da Aeronáutica dá até vergonha. Se mandasse ele plantar bananeira, ele plantava bananeira. Não é que falou a verdade, ele inventou história”, disse Bolsonaro em entrevista a um podcast. Procurado, Baptista Junior sempre evitou tratar do assunto.
Divergências entre os generais
Freire Gomes, porém, também entrou em contradição com um militar do Alto Comando que está na mira nas investigações. Ex-chefe do Comando de Operações Terrestres (Coter), o general da reserva Estevam Theophilo foi denunciado pela PGR porque, segundo o delator Mauro Cid, teria dito que acataria a ordem de Bolsonaro para levar as tropas às ruas – segundo Cid, Theophilo inclusive passaria por cima do então comandante do Exército.
O ex-chefe do Coter teve pelo menos três reuniões com Jair Bolsonaro depois das eleições. Em depoimento à PF, Theophilo afirmou que em duas delas estava acompanhado de Freire Gomes, enquanto na outra foi por “ordem” dele e de lá se dirigiu à residência do comandante para narrar a conversa.
Já o ex-comandante afirmou que não ordenou que seu subordinado fosse ao Palácio da Alvorada se encontrar com Bolsonaro e disse até ter ficado “desconfortável” com a ida, dado o conteúdo que fora apresentado pelo então presidente a ele e aos demais comandantes em reuniões anteriores.
Além disso, há uma diferença notória entre os participantes de uma dessas reuniões. Theophilo narrou que o último encontro com Bolsonaro contou com a presença de Freire Gomes, do general [Sérgio da Costa Negraes] e do general Fernandes, numa provável referência ao general Mário Fernandes, preso desde o ano passado por ser o mentor de um plano de monitoramento e de assassinato de autoridades no fim de 2022. Ao narrar esse mesmo encontro, o ex-chefe do Exército não citou a presença do general Fernandes.
Tanto Baptista Junior quanto Freire Gomes foram arrolados como testemunhas no julgamento do STF, oportunidade na qual poderão fechar algumas das lacunas sobre o últimos momentos do governo Bolsonaro.
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR
Matheus Leitão
Relâmpago: Digital Completo a partir R$ 5,99
“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social)
Digital Completo
Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
Apenas 5,99/mês
DIA DAS MÃES
Revista em Casa + Digital Completo
Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 9)
A partir de 35,90/mês
*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
Pagamento único anual de R$71,88, equivalente a R$ 5,99/mês.
PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Relacionado
Felipe Barbosa
Relâmpago: Digital Completo a partir R$ 5,99
Digital Completo
Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
Apenas 5,99/mês
DIA DAS MÃES
Revista em Casa + Digital Completo
Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 9)
A partir de 35,90/mês
*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
Pagamento único anual de R$71,88, equivalente a R$ 5,99/mês.
PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Relacionado
POLÍTICA
A articulação para mudar quem define o teto de jur…
PUBLICADO
8 meses atrásem
5 de maio de 2025Nicholas Shores
O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN).
A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica.
Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.
A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira.
Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.
Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios.
Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.
A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.
Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.
Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.
Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.
Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.
Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.
Relacionado
PESQUISE AQUI
MAIS LIDAS
ACRE2 dias agoUfac lança nova versão do SEI com melhorias e interface moderna — Universidade Federal do Acre
ACRE2 dias agoLinguagem e Identidade — Universidade Federal do Acre
ACRE1 dia agoExame Nacional de Acesso ENA/Profmat em 2026 — Universidade Federal do Acre
Economia e Negócios19 horas agoRelatório de Investimento Global em Tecnologia da GWM: Foco na Inovação de Ponta em Energias Novas Inteligentes


Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login