POLÍTICA
A nova pisada na bola de Haddad, na visão do Planalto
PUBLICADO
11 meses atrásem
Robson Bonin
Auxiliares de Lula no Palácio do Planalto voltaram a reclamar, na semana passada, da postura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nas redes sociais, ao classificar de fake news as notícias que mostraram o aumento da contribuição para os MEIs.
“Os bolsonaristas começaram a divulgar mais uma fake news. A contribuição social do MEI continua em 5% do salário mínimo, como sempre. E só pode ser alterada pelo Congresso Nacional. Não há nenhuma iniciativa parlamentar nesse sentido. Quem espalha essas mentiras está atrapalhando o empreendedor brasileiro”, postou o ministro no X.
Para os colegas de governo, Haddad pisou na bola de novo. Afinal, todo trabalhador sabe que o imposto, na prática, subiu porque é atrelado ao salário mínimo, que também subiu e elevou, assim, a contribuição. Negar isso, na avaliação do Planalto, é cair no mesmo erro do episódio do Pix, quando o governo tomou uma surra da oposição nas redes ao tentar negar o aumento da fiscalização da Receita Federal sobre transações financeiras — um fato.
“O aumento de imposto para o MEI é realidade. Chamar de fake news é a própria fake news”, diz um auxiliar de Lula no Planalto.
No mundo real, o que importa, para quem paga imposto, é que está saindo mais dinheiro da conta para bancar o governo. O salário mínimo sobe, mas a renda de muito trabalhador, que dá duro como empreendedor, segue a mesma. O motivo de a contribuição ter ficado mais cara pouco importa.
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POLÍTICA
A articulação para mudar quem define o teto de jur…
PUBLICADO
8 meses atrásem
5 de maio de 2025Nicholas Shores
O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN).
A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica.
Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.
A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira.
Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.
Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios.
Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.
A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.
Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.
Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.
Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.
Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.
Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.


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