
Marchas organizadas na praia com ativistas acompanhados de seus cães, resgates de animais maltratados transmitidos ao vivo nas redes sociais e feiras de adoção: foi assim que Marcelo Queiroz, 40 anos, deputado federal do partido dos Progressistas de direita, liderou sua campanha pela eleições municipais no Rio de Janeiro em 6 de outubro. “Eu queria fazer do Rio a capital dos animais! »declara este amante dos companheiros de quatro patas, em seu escritório no centro da cidade maravilhosa, três semanas após o primeiro e único turno de votação.
O candidato defendeu nomeadamente a “desenvolvimento de parques e espaços dedicados ao lazer” para quadrúpedes, cirurgias veterinárias gratuitas “alta complexidade”programa que visa incentivar as famílias a acolher temporariamente animais abandonados e aumentar o patrulhamento da polícia ambiental contra o abuso de animais. Marcelo Queiroz também propôs medidas mais convencionais, como o aumento dos salários do setor público, o desenvolvimento da telemedicina e a instalação de câmeras de vigilância em todos os bairros da cidade.
Mas estas propostas acabarão por permanecer letra morta. Apesar da criatividade de sua campanha, Marcelo Queiroz obteve apenas 2,5% dos votos. A votação foi vencida no primeiro turno pelo prefeito cessante, Eduardo Paes (60,5% dos votos), do Partido Social Democrata (PSD, centro-direita), que havia feito aliança com o presidente Lula, seguido por Alexandre Ramagem (31 % de votos), do Partido Liberal (extrema direita) de Jair Bolsonaro.
“Famílias multiespécies”
Esta estratégia de campanha pode parecer arriscada para uma cidade onde 16,7% da população ganha menos de 497 reais (80 euros) por mês e onde 7,9% dos agregados familiares sofrem de insegurança alimentar. Só que quase 70% dos brasileiros possuem pelo menos um animal – durante a pandemia, o número de donos de animais de estimação aumentou 30%, segundo estudo do Pet Committee de 2021. Entre eles, um terço os considera até como membro pleno da família, estando dispostos a investir em serviços como spas, padarias e até terapias de acupuntura adaptadas para animais, que se multiplicaram nos últimos anos.
Naturalmente, o bem-estar de cães e gatos acabou entrando no cenário político. Em 2022, durante as eleições legislativas federais, foram eleitos sete deputados de diferentes partidos sob a bandeira da defesa dos animais de companhia : também Marcelo Queiroz, Bruno Lima, policial também do partido Progressistas, Célio Studart (PSD), Fred Costa (Partido Renovação Democrática), Matheus Laiola e Felipe Becari do partido União Brésil (centro-direita), além de Bruno Ganem de Nós podemos (certo).
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