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Albert Schweitzer e seu polêmico legado – DW – 14/01/2025
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Numerosas ruas alemãs têm o seu nome, assim como centenas de escolas, universidades e hospitais. Albert Schweitzer — cientista, médico, filósofo, teólogo, autor, músico e vencedor do Prémio Nobel da Paz — foi durante muito tempo venerado pelo seu trabalho humanitário em África.
A clínica que ele montou em Lambarene, no atual Gabão, na África Ocidental, rendeu-lhe o apelido de “médico da selva”.
Mas Schweitzer também foi um produto de sua época. Nascido em 1875 na Alsácia, então parte do Império Alemão, e hoje leste da França, ele foi influenciado pela contínua e brutal colonialização de grandes partes de África por países europeus.
Schweitzer, marcado pelo seu bigode esvoaçante e pela espessa cabeleira branca, era um paternalista que se via numa espécie de “missão civilizadora” em África. Ele se sentiu chamado a tornar a população – que descreveu como “crianças sem cultura” – não apenas saudável, mas também “civilizada”.
Não é amigo dos nazistas – mas estranhamente silencioso sobre o Holocausto
A fama do médico em casa lhe rendeu a atenção dos nacional-socialistas — apesar de suas primeiras críticas Hitler.
Mais tarde, diz-se que um convite enviado ao Gabão por Joseph Goebbels foi educadamente recusado por Schweitzer.
Tendo estado em África quase continuamente desde 1924, Schweitzer manteve distância dos horrores do Holocausto e nunca condenou o nazista atrocidades, postura que muitos pesquisadores têm criticado, segundo a jornalista e autora Caroline Fetscher.
Fetscher, que escreveu sobre o lugar ambíguo de Schweitzer na história alemã, acredita que o médico da selva “estava bem ciente da perseguição aos judeus”, apesar do seu isolamento.
“No entanto, ele não protestou nem levantou a voz de forma alguma, mesmo depois de 1945, mesmo que seus contemporâneos esperassem e exigissem isso dele”, disse Fetscher à DW.
De acordo com a pesquisa de Fetscher, a maioria dos médicos que trabalhavam no seu hospital em Lambarene na época do regime nazista eram judeus. A maioria foi forçada a deixar a Europa devido à Holocausto.
Ela explica que um médico considerado o futuro chefe do hospital como sucessor do idoso Schweitzer tinha um número de Auschwitz tatuado no braço.
“Schweitzer conhecia sua história e sabia das atrocidades”, disse Fetscher.
Além disso, a esposa de Schweitzer, Helene, era descendente de judeus e escapou por pouco dos campos de concentração.
No entanto, o seu silêncio representa “uma enorme lacuna na sua vida”, algo que vários biógrafos notaram, disse Fletscher.
Ainda lembrado por salvar vidas e pelo ativismo pela paz
Como Schweitzer e a sua equipa lutaram com sucesso contra as doenças e a mortalidade infantil no Gabão, este trabalho poderia convenientemente ofuscar os crimes da Segunda Guerra Mundial, de acordo com Caroline Fetscher.
Não é, portanto, nenhuma grande surpresa que muitas crianças e jovens na Alemanha do pós-guerra considerassem Schweitzer um ídolo.
Turmas escolares inteiras escreveram cartas para ele, sua imagem apareceu em selos, artigos de jornais e livros também construíram sua reputação como um filantropo heróico e curador.
Schweitzer estava interessado em reparar o que outros europeus tinham feito nas colónias.
“Em última análise, tudo de bom que fazemos para os povos do colônias não é caridade, mas expiação por todo o sofrimento que nós, brancos, causamos a eles desde o dia em que nossos navios chegaram às suas costas”, disse ele uma vez.
No entanto, Schweitzer não encorajou as aspirações emancipatórias das populações colonizadas ou exploradas que queriam construir uma sociedade ou economia funcional sem a ajuda dos brancos.
Relembrando o genocídio, olhando para o futuro
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O polímata costumava dizer aos seus compatriotas africanos: “Eu sou seu irmão. Mas sou seu irmão mais velho.”
Apesar deste legado paternalista, Albert Schweitzer está a ser celebrado como humanitário e mais tarde como activista pela paz no 150º aniversário do seu nascimento.
O mundo o conhece não apenas como um “médico da selva”, humanista e amante dos animais, mas também como um lutador incansável contra o armamento nuclear durante a Guerra Fria.
Ele recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1952 por este compromisso sob a bandeira de sua filosofia, “Reverência pela Vida”.
Como disse certa vez Schweitzer: “Ao ter reverência pela vida, entramos em uma relação espiritual com o mundo. Ao praticar a reverência pela vida, nos tornamos bons, profundos e vivos.”
Ou dito de outra forma: “Faça algo maravilhoso, as pessoas podem imitá-lo.”
Este artigo foi escrito originalmente em alemão.
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Ufac lança projeto voltado à educação na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre
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6 de fevereiro de 2026A Ufac lançou o projeto de extensão “Tecendo Teias de Aprendizagem: Cazumbá-Iracema”, em solenidade realizada nesta sexta-feira, 6, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas. A ação é desenvolvida em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Associação dos Seringueiros da Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema.
Viabilizado por meio de emenda parlamentar do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), o projeto tem como foco promover uma educação contextualizada e inclusiva, com ações voltadas para docentes e estudantes da reserva, como formação em metodologias inovadoras, implantação de hortas escolares, práticas agroecológicas sustentáveis e produção de um documentário com registros da memória cultural da comunidade.
A reitora Guida Aquino destacou a importância da iniciativa. “É um momento ímpar da universidade, que cumpre de fato seu papel social. O projeto nasce a partir da escuta da comunidade, com apoio fundamental do senador Petecão, que tem investido fortemente na educação.” Ela também agradeceu o apoio financeiro para funcionamento da instituição. “Se não fossem as emendas, não teríamos fechado o ano passado com energia, segurança e limpeza garantidas.”
Petecão frisou que o investimento em educação é o melhor caminho para transformar a realidade da juventude e manter as comunidades nas reservas. “Não tem sentido incentivar as pessoas a deixarem a floresta. O mundo todo quer conhecer a Amazônia e o nosso povo quer sair de lá. Está errado. A reserva Cazumbá-Iracema é um exemplo de paz e organização, e esse projeto pode virar referência nacional.”

Ele reafirmou seu apoio à universidade. “A Ufac é um patrimônio do Acre. Já destinamos mais de R$ 40 milhões em emendas para a instituição. Vamos continuar apoiando. Educação não tem partido.”
O pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes, explicou que a proposta foi construída a partir de escutas com lideranças da reserva. “O projeto mostra que a universidade pública é espaço de formulação de políticas. Educação é direito, não mercadoria.” Ele também defendeu a atualização da legislação que rege as fundações de apoio, para permitir a inclusão de moradores de comunidades extrativistas como bolsistas em projetos de extensão.
Durante o evento, foram entregues placas de agradecimento à reitora Guida Aquino, ao senador Sérgio Petecão e ao pró-reitor Carlos Paula de Moraes, além de cestas com produtos da comunidade.
A reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema possui cerca de 750 mil hectares nos municípios acreanos de Sena Madureira e Manoel Urbano, com 18 escolas, 400 estudantes e aproximadamente 350 famílias.
Também participaram da mesa de honra o coordenador do projeto, Rodrigo Perea; o diretor do Parque Zoobotânico, Harley Araújo; o chefe do ICMBio em Sena Madureira, Aécio dos Santos; a subcoordenadora do projeto, Maria Socorro Moura; e o estudante Keven Maia, representante dos alunos da Resex.
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Grupo de pesquisa da Ufac realiza minicurso sobre escrita científica — Universidade Federal do Acre
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6 de fevereiro de 2026O grupo de pesquisa Elos: Estudos em Economia, Finanças, Política e Segurança Alimentar e Nutricional, da Ufac, realiza o minicurso Escrita Científica em 12 de fevereiro, em local ainda a ser definido. A ação visa proporcionar uma introdução aos fundamentos da produção acadêmica. A carga horária do minicurso é de duas horas e os participantes receberão certificado. As inscrições estão disponíveis online.
Serão ofertadas duas turmas no mesmo dia: turma A, às 13h30, e turma B, às 17h20. A atividade é coordenada pela professora Graziela Gomes, do Centro de Ciências Jurídicas e Sociais Aplicadas.
A metodologia inclui exposição teórica e atividades práticas orientadas. A atividade abordará técnicas de citação, paráfrase, organização textual e ética na escrita científica, contribuindo para a redução de dificuldades recorrentes na elaboração de trabalhos acadêmicos e para a prevenção do plágio não intencional.
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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre
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30 de janeiro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de certificação dos estudantes concluintes do ensino médio do Colégio de Aplicação (CAp), referente ao ano letivo de 2025. Pela primeira vez, a solenidade ocorreu no campus-sede, na noite dessa quinta-feira, 29, no Teatro Universitário, e marcou o encerramento de uma etapa da formação educacional de jovens que agora seguem rumo a novos desafios acadêmicos e profissionais.
A entrada da turma Nexus, formada pelos concluintes do 3º ano, foi acompanhada pela reitora Guida Aquino; pelo diretor do CAp, Cleilton França dos Santos; pela vice-diretora e patronesse da turma, Alessandra Lima Peres de Oliveira; pelo paraninfo, Gilberto Francisco Alves de Melo; pelos homenageados: professores Floripes Silva Rebouças e Dionatas Ulises de Oliveira Meneguetti; além da inspetora homenageada Suzana dos Santos Cabral.

Guida destacou a importância do momento para os estudantes, suas famílias e toda a comunidade escolar. Ela parabenizou os formandos pela conquista e reconheceu o papel essencial dos professores, da equipe pedagógica e dos familiares ao longo da caminhada. “Tenho certeza de que esses jovens seguem preparados para os próximos desafios, levando consigo os valores da educação pública, do conhecimento e da cidadania. Que este seja apenas o início de uma trajetória repleta de conquistas. A Ufac continua de portas abertas e aguarda vocês.”

Durante o ato simbólico da colocação do capelo, os concluintes reafirmaram os valores que orientaram sua trajetória escolar. Em nome da turma, a estudante Isabelly Bevilaqua Rodrigues fez o discurso de oradora.
A cerimônia seguiu com a entrega dos diplomas e as homenagens aos professores e profissionais da escola indicados pelos concluintes, encerrando a noite com o registro da foto oficial da turma.
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