A Argentina denunciou a Venezuela ao TPI (Tribunal Penal Internacional), nesta quinta-feira (2), pela “detenção arbitrária e desaparecimento forçado” de um policial argentino detido e acusado de terrorismo pelo Ministério Público venezuelano, controlado pelo chavismo, segundo a chancelaria.
Para o governo argentino, a detenção constitui “uma violação grave e flagrante dos direitos humanos, evidenciando um padrão sistemático de crimes contra a humanidade que estão sendo cometidos na República Bolivariana da Venezuela, que estão claramente sob a jurisdição do TPI”.
Segundo autoridades argentinas, Nahuel Gallo, 33, foi preso na Venezuela depois de entrar no país pela fronteira com a Colômbia para visitar a companheira e o filho, que completa dois anos em janeiro.
Em comunicado na última sexta-feira, o procurador-geral venezuelano, Tarek William Saab, disse que Gallo teria tentado entrar irregularmente no território do país escondendo o verdadeiro “plano criminoso” e sob o pretexto de uma visita familiar. Ele não detalhou a acusação.
O policial argentino será indiciado por conspiração e associação criminosa, disse o procurador, que confirmou à AFP a detenção de Gallo em Caracas.
A ministra da Segurança argentina, Patricia Bullrich, questionou as acusações de Saab e garantiu que o policial entrou na Venezuela de forma legal. “O que não foi legal foi a forma como ele foi sequestrado na fronteira”, afirmou.
A relação diplomática entre Venezuela e Argentina já era tensa, mas se rompeu de vez por decisão de Caracas quando Javier Milei não reconheceu a reeleição de Maduro em 28 de julho para um terceiro mandato consecutivo de seis anos.
Um dia após a contestada reeleição, o regime expulsou funcionários diplomáticos argentinos do país.
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O Brasil, então, assumiu os cuidados da sede e, portanto, de seis opositores venezuelanos que estavam asilados na embaixada desde março. A ditadura tentou retirar a gestão brasileira do prédio, mas Brasília se opôs.
A prisão de Gallo ocorreu em meados de dezembro, na mesma semana em que o chanceler argentino, Gerardo Werthein, exigiu ao ditador Nicolás Maduro, perante a Organização dos Estados Americanos (OEA), que conceda salvo-condutos aos asilados.
