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ator que faleceu durante as gravações de Alma Gêmea

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Umberto Magnani Netto, nascido em Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, em 25 de abril de 1941, construiu uma carreira que marcou profundamente o teatro, a televisão e o cinema brasileiros. Sua trajetória é marcada por dedicação, versatilidade e uma atuação cheia de autenticidade, qualidades que o tornaram um dos atores mais respeitados no meio artístico. Ao longo de cinco décadas de atuação, Magnani transitou entre os palcos e as telas com maestria, deixando uma marca inesquecível na cultura nacional. Ele era conhecido por trazer complexidade e humanidade a seus personagens, característica que o tornou querido pelo público e respeitado pela crítica. Abaixo, mergulhamos em detalhes sobre sua vida, carreira, contribuições e legado.

Formação e início no teatro

Magnani encontrou seu caminho para o teatro ainda jovem. Incentivado pela família e movido por uma paixão inata pela atuação, ele deixou sua cidade natal para buscar formação na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD/USP), onde teve como professores renomados diretores e artistas, como Alfredo Mesquita e Antunes Filho. A EAD/USP era, à época, uma das principais instituições de ensino teatral do Brasil, e estudar lá possibilitou que Magnani desenvolvesse uma base sólida de técnicas interpretativas. Em 1968, Magnani estreou oficialmente nos palcos, substituindo o ator Antônio Fagundes em uma peça de Lauro César Muniz. Sua capacidade de adaptação e o domínio da cena chamaram a atenção da crítica, e a partir desse momento, o jovem ator passou a ser reconhecido como uma promessa no teatro brasileiro.

A ascensão no teatro brasileiro

Nos anos seguintes, Magnani trabalhou em várias montagens que marcaram o cenário cultural do país. Peças como “Vereda da Salvação” e “O Pagador de Promessas” destacaram sua capacidade de explorar a dramaticidade e a profundidade dos personagens. Em 1981, sua atuação em “Lua de Cetim” lhe rendeu o Prêmio Molière e o Troféu Mambembe de Melhor Ator, consagrando-o no circuito teatral. Além disso, Magnani desempenhou papéis importantes em obras de autores como Nelson Rodrigues, Dias Gomes e Jorge Andrade, e essas colaborações foram fundamentais para o amadurecimento de sua carreira. Sua versatilidade permitia que atuasse em peças de diferentes estilos e temáticas, desde o drama mais introspectivo até a comédia leve, adaptando-se com naturalidade às exigências de cada texto.

Transição para a televisão e primeiros papéis

Magnani fez sua estreia na televisão na década de 1970, mas foi nos anos 1980 e 1990 que consolidou sua carreira nas telinhas, especialmente nas produções da TV Globo. Em novelas como “Felicidade”, “História de Amor” e “Por Amor”, interpretou personagens que, mesmo secundários, ganharam destaque pela riqueza de nuances que ele trazia para a atuação. Seu estilo discreto e focado em detalhes psicológicos diferenciava-o de outros atores, tornando suas performances inesquecíveis. Em “Por Amor”, por exemplo, sua interpretação trouxe uma camada de humanidade ao personagem, revelando as fragilidades e virtudes com sutileza, algo que o público e os críticos souberam apreciar.

Participação em “Alma Gêmea” e seu papel inesquecível

Em 2005, Magnani interpretou Elias na novela “Alma Gêmea”, de Walcyr Carrasco. Elias era o pai de Kátia, um personagem que, embora secundário, teve um impacto importante na trama. Magnani deu vida a um homem pacato e espiritualizado, sempre disposto a apoiar a filha e oferecer conselhos aos amigos e vizinhos. Este papel foi um dos que consolidou ainda mais sua presença na televisão brasileira, mostrando sua capacidade de criar personagens com os quais o público facilmente se identificava. A atuação de Magnani foi essencial para transmitir ao telespectador a sensibilidade e a emoção da narrativa de “Alma Gêmea”, o que contribuiu para o sucesso da novela.

Diversidade de papéis e contribuições no cinema brasileiro

Além de sua atuação no teatro e na televisão, Magnani também teve uma trajetória significativa no cinema. Ele participou de filmes como “A Hora da Estrela” (1985), adaptação da obra de Clarice Lispector, e “Kuarup” (1989), de Ruy Guerra. Em “A Hora da Estrela”, interpretou o patrão de Macabéa, personagem de Marcélia Cartaxo, em uma atuação que agregou camadas de complexidade à narrativa. Já em “Kuarup”, ele abordou questões de identidade e cultura nacional, atuando em um papel de forte carga histórica. A variedade de seus papéis no cinema demonstra sua versatilidade e a amplitude de seu talento, que lhe permitia transitar entre diferentes gêneros e estilos cinematográficos.

Contribuições como produtor e gestor cultural

Umberto Magnani não se limitou à atuação; ele também teve uma participação ativa como produtor e gestor cultural. Durante os anos de 1972 a 1988, foi diretor da Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais do Estado de São Paulo (APETESP) e, entre 1977 e 1990, atuou como diretor regional da Fundação Nacional de Artes Cênicas (Fundacen), do Ministério da Cultura, em São Paulo. Seu trabalho nessa função foi fundamental para a promoção e o fortalecimento do teatro no Brasil. Ele também se dedicou ao trabalho com o Teatro de Arena, ajudando a promover o teatro político e popular no país, e inspirando uma geração de artistas a enxergar o teatro como um instrumento de transformação social.

A última novela: “Velho Chico” e o falecimento trágico

Em 2016, Magnani foi escalado para a novela “Velho Chico”, interpretando o Padre Romão, um personagem que representa a espiritualidade e o compromisso com a comunidade local. Contudo, durante as gravações, ele sofreu um acidente vascular encefálico (AVE), enquanto completava 75 anos. A morte de Magnani causou um grande impacto tanto entre seus colegas quanto entre o público, que lamentou a perda de um dos grandes atores da dramaturgia nacional. Para finalizar as cenas do personagem, a produção da novela recorreu ao ator Carlos Vereza, que assumiu o papel em homenagem a Magnani.

O legado de Umberto Magnani e a influência nas artes

O legado de Umberto Magnani é vasto e abrangente, não apenas por seus papéis memoráveis, mas também por seu compromisso com a formação e o desenvolvimento do teatro no Brasil. Ele atuou como professor e coordenador de oficinas de Teatro Comunitário e incentivou jovens talentos a explorarem o potencial transformador da arte. Esse compromisso com a educação e a cultura reflete seu ideal de que o teatro deve ser acessível e engajado, promovendo diálogos com a sociedade. Mesmo após sua morte, Magnani continua a ser lembrado como uma referência para atores e atrizes que buscam uma atuação profunda e autêntica.

Contribuições sociais e projetos culturais

Magnani também se destacou em iniciativas de cunho social e cultural, realizando oficinas de teatro para jovens em situação de vulnerabilidade e apoiando projetos que levassem o teatro a comunidades carentes. Ele acreditava no poder da arte como um meio de inclusão e transformação, e seus projetos sociais são uma prova de seu comprometimento com causas humanitárias. Sua visão era de que o teatro deveria ser uma ferramenta de mudança, capaz de proporcionar novas perspectivas e inspirar as pessoas a refletirem sobre o mundo ao seu redor.

Impacto cultural e relevância dos personagens

Os personagens interpretados por Umberto Magnani muitas vezes abordavam questões importantes para a sociedade, como espiritualidade, ética e relações familiares. Em cada um de seus papéis, Magnani explorava a complexidade humana, trazendo para o público não apenas entretenimento, mas também reflexão. O impacto cultural de seu trabalho estende-se para além do que é visto nas telas ou palcos, pois ele criou personagens que instigavam o público a pensar sobre suas próprias vidas e as escolhas que fazem. Esse legado cultural é um testemunho do valor que Magnani agregou à dramaturgia brasileira.

Reconhecimento e homenagens póstumas

Após sua morte, várias homenagens foram feitas em reconhecimento ao seu trabalho e contribuição para as artes. Tanto a crítica quanto o público demonstraram admiração e respeito pela dedicação de Magnani ao longo de sua carreira. Ele foi lembrado por colegas e amigos como um profissional dedicado e uma pessoa generosa, sempre disposto a ajudar os mais jovens em seu desenvolvimento artístico. Em várias cidades do Brasil, teatros e espaços culturais realizaram eventos para celebrar sua vida e seu trabalho, reforçando o impacto de sua presença na cultura nacional.

Conclusão: uma carreira que transcende o tempo

A carreira de Umberto Magnani é um exemplo de dedicação, talento e amor pela arte. Ele foi mais do que um ator; foi um verdadeiro embaixador do teatro e das artes no Brasil, promovendo uma visão humanista e inclusiva para a cultura. Sua influência permanece viva tanto em seus personagens quanto nas lembranças de todos aqueles que tiveram o privilégio de assistir às suas performances ou de trabalhar com ele. Magnani deixa um vazio no cenário artístico, mas também um legado inspirador, que continuará a impactar as próximas gerações de artistas brasileiros.



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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre

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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre

A Ufac realizou a cerimônia de certificação dos estudantes concluintes do ensino médio do Colégio de Aplicação (CAp), referente ao ano letivo de 2025. Pela primeira vez, a solenidade ocorreu no campus-sede, na noite dessa quinta-feira, 29, no Teatro Universitário, e marcou o encerramento de uma etapa da formação educacional de jovens que agora seguem rumo a novos desafios acadêmicos e profissionais.

A entrada da turma Nexus, formada pelos concluintes do 3º ano, foi acompanhada pela reitora Guida Aquino; pelo diretor do CAp, Cleilton França dos Santos; pela vice-diretora e patronesse da turma, Alessandra Lima Peres de Oliveira; pelo paraninfo, Gilberto Francisco Alves de Melo; pelos homenageados: professores Floripes Silva Rebouças e Dionatas Ulises de Oliveira Meneguetti; além da inspetora homenageada Suzana dos Santos Cabral.

Guida destacou a importância do momento para os estudantes, suas famílias e toda a comunidade escolar. Ela parabenizou os formandos pela conquista e reconheceu o papel essencial dos professores, da equipe pedagógica e dos familiares ao longo da caminhada. “Tenho certeza de que esses jovens seguem preparados para os próximos desafios, levando consigo os valores da educação pública, do conhecimento e da cidadania. Que este seja apenas o início de uma trajetória repleta de conquistas. A Ufac continua de portas abertas e aguarda vocês.”

Durante o ato simbólico da colocação do capelo, os concluintes reafirmaram os valores que orientaram sua trajetória escolar. Em nome da turma, a estudante Isabelly Bevilaqua Rodrigues fez o discurso de oradora.

A cerimônia seguiu com a entrega dos diplomas e as homenagens aos professores e profissionais da escola indicados pelos concluintes, encerrando a noite com o registro da foto oficial da turma.

 



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Especialização em Enfermagem Obstétrica tem aula inaugural — Universidade Federal do Acre

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Especialização em Enfermagem Obstétrica tem aula inaugural — Universidade Federal do Acre

O curso de especialização em Enfermagem Obstétrica teve sua aula inaugural nesta terça-feira, 27, na sala Pedro Martinello do Centro de Convenções, campus-sede da Ufac. O curso é promovido pela Universidade Federal de Minas Gerais, com financiamento do Ministério da Saúde, no âmbito da Rede Alyne; a Ufac é um dos 39 polos que sedia essa formação em nível nacional.

A especialização é presencial, com duração de 16 meses e carga horária de 720 horas; tem como objetivo a formação e qualificação de 21 enfermeiros que já atuam no cuidado à saúde da mulher, preparando-os para a atuação como enfermeiros obstetras. A maior parte dos profissionais participantes é oriunda do interior do Estado do Acre, com predominância da regional do Juruá.

“Isso representa um avanço estratégico para o fortalecimento da atenção obstétrica qualificada nas regiões mais afastadas da capital”, disse a coordenadora local do curso, professora Sheley Lima, que também ressaltou a relevância institucional e social da ação, que está alinhada às políticas nacionais de fortalecimento da atenção à saúde da mulher e de redução da morbimortalidade materna.

A aula inaugural foi ministrada pela professora Ruth Silva Lima da Costa, com o tema “Gravidez na Adolescência e Near Miss Neonatal na Região Norte: Dados da Pesquisa Nascer no Brasil 2”. Ela é doutora em Ciências da Saúde pela Fiocruz, enfermeira da Ufac e docente da Uninorte.

 



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Calendário 2026 do Acre: Veja o calendário do Governo e Judiciário que vai ditar o ritmo do ano

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Foto de capa [internet]

Clique aqui para baixar o calendário estadual completo: Decreto 11.809, Calendário 2026 Acre, ed. 14.173-B, de 22.12.2025

Há quem organize a vida por metas, há quem organize por boletos… e existe um grupo que planeja o ano inteiro por uma régua silenciosa, porém poderosa: o calendário oficial. Desde início de janeiro, essa régua ganhou forma no Acre com dois instrumentos que, na prática, definem como o Estado vai pulsar em 2026 — entre atendimentos, plantões, prazos, audiências e aquele respiro estratégico entre uma data e outra.

De um lado, o Governo do Estado publicou o Decreto nº 11.809, de 22 de dezembro de 2025, fixando feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos do Poder Executivo, do dia 1º de janeiro ao último dia do ano, com a ressalva de que serviços essenciais não podem parar.

Do outro, o Tribunal de Justiça do Acre respondeu com a sua própria cartografia do tempo: a Portaria nº 6569/2025, que institui o calendário do Poder Judiciário acreano para 2026, preservando o funcionamento em regime de plantão sempre que não houver expediente. O texto aparece no DJe (edição nº 7.925) e também em versão integral, como documento administrativo autônomo.

Clique aqui para baixar o calendário forense completo: DJE – Portaria 6.5692025, edição 7.925, 22.12.2025

O “mapa do descanso” tem regras — e tem exceções

No calendário do Executivo, as datas nacionais aparecem como pilares já conhecidos (como Confraternização Universal, Tiradentes, Dia do Trabalho, Independência, Natal), mas o decreto também reforça a identidade local com feriados estaduais e pontos facultativos típicos do Acre.

Chamam atenção duas engrenagens que costumam passar despercebidas fora da rotina pública:

  1. ponto facultativo não é sinônimo de folga garantida — a chefia pode convocar para expediente normal por necessidade do serviço;
  2. quando o servidor é convocado nesses dias, o decreto prevê dispensa de compensação para quem cumprir horário no ponto facultativo.

No Judiciário, a lógica é parecida no objetivo (manter o Estado funcionando), mas diferente na mecânica. A Portaria do TJAC prevê expressamente que, havendo necessidade, pode haver convocação em regime de plantão, respeitando-se o direito à compensação de horas, conforme regramento administrativo interno.

Quando o município faz aniversário, a Justiça muda o passo

O “calendário do fórum” também conversa com o mapa das cidades. A Portaria prevê que, em feriado municipal por aniversário do município, não haverá expediente normal nas comarcas correspondentes — apenas plantão. E, quando o município declara ponto facultativo local, a regra traz até prazo de comunicação no interior: pelo menos 72 horas de antecedência para informar se haverá adesão.

É o tipo de detalhe que não vira manchete — mas vira realidade para quem depende de balcão, distribuição, atendimento e rotina de cartório.

Um ano que já começa “com cara de planejamento”

Logo na largada, o Executivo lista 1º de janeiro como feriado nacional e já prevê, para 2 de janeiro, ponto facultativo (por decreto específico citado no anexo). Também aparecem o Carnaval e a Quarta-feira de Cinzas como pontos facultativos, desenhando, desde cedo, o recorte de semanas que tendem a ser mais curtas e mais estratégicas.

No Judiciário, a Portaria organiza o mesmo período com olhar forense — e, além de datas comuns ao calendário civil, agrega as rotinas próprias do Poder Judiciário, preservando a prestação jurisdicional via plantões e regras de compensação.

Rio Branco também entra no compasso de 2026

Para além do calendário estadual e do Judiciário, a capital também oficializou seu próprio “mapa do tempo”: o Prefeito de Rio Branco editou o Decreto Municipal nº 3.452, de 30/12/2025, estabelecendo os feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos e entidades do Poder Executivo Municipal, com referência expressa ao calendário do Estado.

Na prática, a cidade reforça o mesmo recado institucional: serviços essenciais não param, funcionando por escala ou plantão, e os gestores ficam autorizados a convocar servidores em dias de ponto facultativo, sem exigência de compensação para quem cumprir expediente. No anexo, aparecem datas que impactam diretamente a rotina da população, como o Carnaval (16 a 18/02, ponto facultativo), o Dia do Servidor Público (28/10, ponto facultativo) e o Aniversário de Rio Branco (28/12, feriado municipal) — fechando o ano com a véspera de Ano Novo (31/12, ponto facultativo).

Clique aqui para baixar o calendário municipal completo: DOE, edição 3.452, de 30.12.2025 – Calendário Prefeitura de Rio Branco-AC

Por que isso importa 

O calendário oficial é mais do que uma lista de “dias marcados”: ele é o roteiro do funcionamento do Estado. Para o cidadão, significa previsibilidade; para advogados e jurisdicionados, significa atenção ao modo como cada órgão funcionará em datas críticas; para gestores, significa logística e escala; e para o próprio Acre, significa um desenho institucional que equilibra tradição, trabalho e continuidade.

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