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Crítica | Duna: A Profecia – 1X06: O Inimigo Arrogante
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1 ano atrásem
- Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.
Eu não devo ter medo. Medo é o assassino da mente. Medo é a pequena morte que leva à aniquilação total. Eu enfrentarei meu medo. Permitirei que passe por cima e me atravesse. E, quando tiver passado, voltarei o olho interior para ver seu rastro. Onde o medo não estiver mais, nada haverá. Somente eu permanecerei.
Com o anúncio da renovação de Duna: A Profecia para uma segunda temporada, minha dúvida sobre a natureza da obra – se era série ou minissérie – foi resolvida e senti também alívio por isso abrir espaço para que todas as linhas narrativas sejam tratadas com a calma que elas precisam, sem correrias no último episódio, por maior que ele pudesse ser. E, quando vi que ele seria quase do tamanho de um longa-metragem, minha reação inicial foi de preguiça, mas, na medida em que ele progredia, pude notar que o roteiro procurou fazer justiça ao conceito de que uma temporada deve trabalhar um arco completo, mesmo que o final acabe naturalmente aberto, e o resultado, nesse sentido, foi muito satisfatório, diria até mesmo uma surpresa por tudo acabar de cabeça para baixo em termos de status quo em Salusa Secundus e na Irmandade, e, claro, por vermos Valya, Ynez e Keiran chegando em Arrakis para tentar descobrir quem é que está realmente por trás de tudo.
O melhor do longo, mas bem concatenado episódio, foi o uso de flashbacks intercalando as sequências de ação no presente. Não que isso seja incomum, mas, aqui, Anna Foerster comandou muito bem as transições e soube dar variedade aos retornos ao passado, algo que acontece da maneira tradicional, como as lembranças de Tula sobre o destino de seu filho com Orry Atreides, como visões de uma compreensivelmente vingativa Dorotea controlando o corpo e a mente de Lila e como um retorno ao maior medo de Valya, que é ao mesmo tempo perder seu irmão e ser a causa de sua morte. Com esse jogo de passado e presente, o episódio termina de montar o quebra-cabeças da temporada e entrega um quadro bastante claro que os eventos, então, tratam de derrubar, primeiro fazendo do imperador uma figura trágica, destruída pelas verdades que uma inclemente Valya diz para ele e que o leva a fazer a única coisa que poderia fazer, depois pareando Ynez com Keiran sob a guarda de Valya, mais para a frente fazendo com que Dorotea vire o jogo na Irmandade, revele os segredos sujos que Valya e suas comparsas esconderam por décadas e tome controle da ordem e, finalmente, reunindo Tula e seu filho depois que ela ajuda a irmã marionetista a vencer o medo e, no processo, o vírus nanotecnológico implantado em Desmond.
Falando em medo, achei interessante que, ao que tudo indica, a famosa Litania do Medo que citei na integralidade na abertura da crítica, tem sua origem exatamente aqui, com Tula guiando Valya para não lutar contra o vírus, mas sim basicamente encará-lo de frente, deixando o medo passar por ela. É um tanto quanto literal, admito, mas é um esforço valoroso ressignificar algo tão importante para o universo criado por Frank Herbert e que tem cunho filosófico, a partir de algo prático, de uma “simples” estratégia para lidar com tecnologia das Máquinas Pensantes. Não sei se isso existe no livro de Brian Herbert e Kevin J. Anderson que inspirou a série, mas, considerando que a dupla adora expandir e explicar conceitos herméticos do autor original, basicamente criando fanfics, isso é algo que tem todo o jeito dos dois, mas que, aqui, eu gostei talvez até mais do que devesse.
No final das contas, a temporada acaba encerrando seus arcos narrativos e começando uma segunda fase deles com cartas mais claras na mesa e com a apresentação de um novo inimigo nas sombras que eu cheguei a imaginar que fosse só as Máquinas Pensantes, mas que, conforme Valya, é, na verdade, alguém usando-as para seu benefício, basicamente com ela mesma sempre fez. Claro que ela não é um encerramento completamente sem problemas, pois a própria introdução desse “novo inimigo” pareceu-me um golpe baixo se ele, lá para a frente, for realmente revelado como novo e não alguém já apresentado antes. Além disso, o uso de Theodosia, que fora lentamente “preparada” para ter seu grande momento, acabou sendo absolutamente pífio e sem graça, algo semelhante à aparição de meros segundos de Harrow Harkonnen ou o conveniente sumiço de Constantine Corrino da história. Como se isso não bastasse, a chegada de Dorotea e das irmãs ao subsolo onde Anirul se encontra foi rápido e fácil demais quando por diversas vezes ao longo da temporada os roteiros fizeram esforços claros para mostrar que existem chaves de acesso limitado.
Mas os problemas foram compensados pelo destaque dado à Emily Watson como Valya, valendo especial menção para a sequência em que ela destrói Javicco sentada impassivelmente em seu próprio trono e na ótima, mas infelizmente breve, sequência de combate que ela protagoniza usando a Voz como sua única arma. De maneira semelhante, Olivia Williams também ganhou holofotes novamente primeiro ao descobrir como lidar com o vírus usando uma irmã aleatória para isso, depois por ajudar Valya e, por último, na cena em que ela se aproxima do filho e, entre medo e hesitações, o abraça, com Travis Fimmel realmente conseguindo convencer em um momento de ótima carga dramática. E, agora que todos os espectadores estão devidamente ambientados para essa versão pretérita do universo dos filmes de Denis Villeneuve, a tendência é que a segunda temporada seja mais harmônica e, portanto, tenha homogeneamente mais qualidade. Só espero que, agora que sabemos que se trata de uma série, Diane Ademu-John e Alison Schapker tenha planos concretos de como ela será desenvolvida, sem se perder em enrolações infinitas.
Duna: A Profecia – 1X06: O Inimigo Arrogante (Dune: Prophecy – 1X06: The High-Handed Enemy – EUA, 22 de dezembro de 2024)
Desenvolvimento: Diane Ademu-John, Alison Schapker
Direção: Anna Foerster
Roteiro: Elizabeth Padden, Suzanne Wrubel
Elenco: Emily Watson, Jessica Barden, Olivia Williams, Emma Canning, Jodhi May, Sarah-Sofie Boussnina, Chloe Lea, Chris Mason, Shalom Brune-Franklin, Mark Strong, Travis Fimmel, Jade Anouka, Edward Davis, Josh Heuston, Faoileann Cunningham, Aoife Hinds, Barbara Marten, Tabu
Duração: 81 min.
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Calendário 2026 do Acre: Veja o calendário do Governo e Judiciário que vai ditar o ritmo do ano
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7 dias atrásem
20 de janeiro de 2026Clique aqui para baixar o calendário estadual completo: Decreto 11.809, Calendário 2026 Acre, ed. 14.173-B, de 22.12.2025
Há quem organize a vida por metas, há quem organize por boletos… e existe um grupo que planeja o ano inteiro por uma régua silenciosa, porém poderosa: o calendário oficial. Desde início de janeiro, essa régua ganhou forma no Acre com dois instrumentos que, na prática, definem como o Estado vai pulsar em 2026 — entre atendimentos, plantões, prazos, audiências e aquele respiro estratégico entre uma data e outra.
De um lado, o Governo do Estado publicou o Decreto nº 11.809, de 22 de dezembro de 2025, fixando feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos do Poder Executivo, do dia 1º de janeiro ao último dia do ano, com a ressalva de que serviços essenciais não podem parar.
Do outro, o Tribunal de Justiça do Acre respondeu com a sua própria cartografia do tempo: a Portaria nº 6569/2025, que institui o calendário do Poder Judiciário acreano para 2026, preservando o funcionamento em regime de plantão sempre que não houver expediente. O texto aparece no DJe (edição nº 7.925) e também em versão integral, como documento administrativo autônomo.
Clique aqui para baixar o calendário forense completo: DJE – Portaria 6.5692025, edição 7.925, 22.12.2025
O “mapa do descanso” tem regras — e tem exceções
No calendário do Executivo, as datas nacionais aparecem como pilares já conhecidos (como Confraternização Universal, Tiradentes, Dia do Trabalho, Independência, Natal), mas o decreto também reforça a identidade local com feriados estaduais e pontos facultativos típicos do Acre.
Chamam atenção duas engrenagens que costumam passar despercebidas fora da rotina pública:
- ponto facultativo não é sinônimo de folga garantida — a chefia pode convocar para expediente normal por necessidade do serviço;
- quando o servidor é convocado nesses dias, o decreto prevê dispensa de compensação para quem cumprir horário no ponto facultativo.
No Judiciário, a lógica é parecida no objetivo (manter o Estado funcionando), mas diferente na mecânica. A Portaria do TJAC prevê expressamente que, havendo necessidade, pode haver convocação em regime de plantão, respeitando-se o direito à compensação de horas, conforme regramento administrativo interno.
Quando o município faz aniversário, a Justiça muda o passo
O “calendário do fórum” também conversa com o mapa das cidades. A Portaria prevê que, em feriado municipal por aniversário do município, não haverá expediente normal nas comarcas correspondentes — apenas plantão. E, quando o município declara ponto facultativo local, a regra traz até prazo de comunicação no interior: pelo menos 72 horas de antecedência para informar se haverá adesão.
É o tipo de detalhe que não vira manchete — mas vira realidade para quem depende de balcão, distribuição, atendimento e rotina de cartório.
Um ano que já começa “com cara de planejamento”
Logo na largada, o Executivo lista 1º de janeiro como feriado nacional e já prevê, para 2 de janeiro, ponto facultativo (por decreto específico citado no anexo). Também aparecem o Carnaval e a Quarta-feira de Cinzas como pontos facultativos, desenhando, desde cedo, o recorte de semanas que tendem a ser mais curtas e mais estratégicas.
No Judiciário, a Portaria organiza o mesmo período com olhar forense — e, além de datas comuns ao calendário civil, agrega as rotinas próprias do Poder Judiciário, preservando a prestação jurisdicional via plantões e regras de compensação.
Rio Branco também entra no compasso de 2026
Para além do calendário estadual e do Judiciário, a capital também oficializou seu próprio “mapa do tempo”: o Prefeito de Rio Branco editou o Decreto Municipal nº 3.452, de 30/12/2025, estabelecendo os feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos e entidades do Poder Executivo Municipal, com referência expressa ao calendário do Estado.
Na prática, a cidade reforça o mesmo recado institucional: serviços essenciais não param, funcionando por escala ou plantão, e os gestores ficam autorizados a convocar servidores em dias de ponto facultativo, sem exigência de compensação para quem cumprir expediente. No anexo, aparecem datas que impactam diretamente a rotina da população, como o Carnaval (16 a 18/02, ponto facultativo), o Dia do Servidor Público (28/10, ponto facultativo) e o Aniversário de Rio Branco (28/12, feriado municipal) — fechando o ano com a véspera de Ano Novo (31/12, ponto facultativo).
Clique aqui para baixar o calendário municipal completo: DOE, edição 3.452, de 30.12.2025 – Calendário Prefeitura de Rio Branco-AC
Por que isso importa
O calendário oficial é mais do que uma lista de “dias marcados”: ele é o roteiro do funcionamento do Estado. Para o cidadão, significa previsibilidade; para advogados e jurisdicionados, significa atenção ao modo como cada órgão funcionará em datas críticas; para gestores, significa logística e escala; e para o próprio Acre, significa um desenho institucional que equilibra tradição, trabalho e continuidade.
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Exame Nacional de Acesso ENA/Profmat em 2026 — Universidade Federal do Acre
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13 de janeiro de 2026A Coordenação Institucional do Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (PROFMAT/UFAC) divulga a lista de pedidos de matrícula deferidos pela Coordenação, no âmbito do Exame Nacional de Acesso 2026.
LISTA DE PEDIDO DE MATRÍCULA DEFERIDOS
1 ALEXANDRE SANTA CATARINA
2 CARLOS KEVEN DE MORAIS MAIA
3 FELIPE VALENTIM DA SILVA
4 LUCAS NASCIMENTO DA SILVA
5 CARLOS FERREIRA DE ALMEIDA
6 ISRAEL FARAZ DE SOUZA
7 MARCUS WILLIAM MACIEL OLIVEIRA
8 WESLEY BEZERRA
9 SÉRGIO MELO DE SOUZA BATALHA SALES
10 NARCIZO CORREIA DE AMORIM JÚNIOR
Informamos aos candidatos que as aulas terão início a partir do dia 6 de março de 2026, no Bloco dos Mestrados da Universidade Federal do Acre. O horário das aulas será informado oportunamente.
Esclarecemos, ainda, que os pedidos de matrícula serão encaminhados ao Núcleo de Registro e Controle Acadêmico da UFAC, que poderá solicitar documentação complementar.
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Linguagem e Identidade — Universidade Federal do Acre
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12 de janeiro de 2026O programa de pós-graduação em Letras: Linguagem e Identidade (PPGLI) da Ufac chega aos 20 anos com um legado consolidado na formação de profissionais da educação na Amazônia. Criado em 2005 e com sua primeira turma de mestrado iniciada em 2006, o PPGLI passou a ofertar curso de doutorado a partir de 2019. Em 2026, o programa contabiliza 330 mestres e doutores titulados, muitos deles com inserção em instituições de ensino e pesquisa na região.
Os dados mais recentes apontam que 41% dos egressos do PPGLI atuam como docentes na própria Ufac e no Instituto Federal do Acre (Ifac), enquanto 39,4% contribuem com a educação básica. Com conceito 5 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) no quadriênio 2017-2020, o PPGLI figura entre os melhores da região Norte.
“Ao longo dessas duas décadas, o programa de pós-graduação em Linguagem e Identidade destaca-se pela excelência acadêmica e pela forte relevância social”, disse a reitora Guida Aquino. “Sua trajetória tem contribuído de forma decisiva para a produção científica e cultural, especialmente no campo dos estudos sobre linguagens e identidades, fortalecendo o compromisso da Ufac com formação qualificada, pesquisa e transformação social.”
O coordenador do programa, Gerson Albuquerque, destacou que, apesar de recente no contexto da pós-graduação brasileira, o PPGLI promove uma transformação na educação superior da Amazônia acreana. “Nesses 20 anos, o PPGLI foi responsável não apenas pela formação de centenas de profissionais altamente qualificados, mas por inúmeras outras iniciativas e realizações que impactam diretamente a sociedade.”
Entre essas ações, Gerson citou a implementação de uma política linguística pioneira que possibilitou o ingresso e permanência de estudantes indígenas e de outras minorias linguísticas, além do protagonismo de pesquisadores indígenas em projetos voltados ao fortalecimento de suas culturas e línguas. “As ações do PPGLI transcenderam os limites acadêmicos, gerando impactos sociais, culturais e econômicos significativos”, opinou. “O programa contribui para a construção de uma sociedade mais inclusiva e consciente de sua riqueza linguística e cultural.”
Educação básica, pesquisa e projetos
Sobre a inserção dos egressos na educação básica, Gerson considerou que, embora a formação stricto sensu seja voltada prioritariamente ao ensino superior e à pesquisa, o alcance do PPGLI vai além. “Se analisarmos o perfil de nossos mestres e doutores, 72% atuam em instituições de ensino superior, técnico, tecnológico ou na educação básica. Isso atesta a importância do programa para a Amazônia e para a área de linguística e literatura, uma das que mais forma mestres e doutores no país.”
O professor também destacou a trajetória de 15 egressos que hoje se destacam em instituições de ensino, projetos de extensão e pesquisa, tanto no Brasil quanto no exterior. Para ele, esses exemplos ilustram a diversidade de atuações do corpo formado pelo programa, que inclui professores indígenas, pesquisadores em literatura comparada, especialistas em língua brasileira de sinais (Libras), artistas da palavra, autores de livros, lideranças educacionais e docentes em universidades peruanas.
A produção científica do PPGLI também foi ressaltada pelo coordenador, que apontou os avanços no quadriênio 2021-2024 como reflexo de um projeto acadêmico articulado com os desafios amazônicos. “Promovemos ações de ensino, pesquisa e extensão com foco na diversidade étnica, linguística e cultural. Nossas parcerias internacionais ampliam o alcance do programa sem perder o vínculo com as realidades locais, especialmente as regiões de fronteira com Peru e Bolívia.”
Entre os destaques estão as políticas afirmativas, a produção de material didático bilíngue para escolas indígenas, a inserção em redes de pesquisa e eventos científicos, a publicação de livros e dossiês temáticos e a atuação dos docentes e discentes em comunidades ribeirinhas e florestais.
Para os próximos anos, o desafio, segundo Gerson, é manter e ampliar essas ações. “Nosso foco está no aprimoramento das estratégias de educação inclusiva e no fortalecimento do impacto social do Programa”, afirmou. Para marcar a data, o PPGLI irá realizar um seminário comemorativo no início de fevereiro de 2026, além de uma série de homenagens e atividades acadêmico-culturais ao longo do ano.
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