
Podemos muito bem admitir desde já que o autor destas linhas nunca tinha ouvido falar de futebol para cegos. Assim, a perspectiva de descobrir quatro cegos ou deficientes visuais, vendados, correndo atrás de uma bola para fazer gols no silêncio de uma catedral, pelo menos nas arquibancadas, nos intrigou, no mínimo.
Reconheçamos também que o local onde seria realizada a competição, de frente para a Torre Eiffel, finalmente nos convenceu do interesse em acompanhar os jogos da seleção francesa. Gritos de alegria, arrepios e lágrimas nos olhos: nunca nos decepcionamos.
Nenhum jogador de futebol cego jamais terá visto as cores do futebol. O das linhas brancas, o ponto central do engajamento ou o da penalidade. A das camisas ou os olhos do goleiro do time adversário. E menos ainda isso, variado, do público nas arquibancadas.
No entanto, ele os ouviu e os ouviu. E isso é o incrível. A nobreza da arte destes jogadores. Algo que é uma forma de poesia. A capacidade de fabricar, de criar um ambiente de substituição, nomeadamente através de sons.
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