POLÍTICA
Eleições 2026: Lula tropeça na crítica dos mais po…
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1 ano atrásem
José Casado
“Tá filmando? Pega tudo que eu vou falar” — no domingo (26/1) ensolarado, Lula passeava de chapéu de palha e camiseta pela horta da Granja do Torto, residência oficial nos arredores de Brasília. Entre pés de pimenta, almeirão, alho poró, tomate e cenoura, resolveu gravar um vídeo sobre o avanço da inflação dos alimentos. Ela está corroendo seus índices de popularidade, mostram pesquisas eleitorais, neste começo da campanha para a eleição presidencial do ano que vem.
“O dado é o seguinte”, disse mostrando uma pimenta vermelha, “ao chegar nessa horta eu comecei a pensar nos preços dos alimentos no Brasil, que é uma coisa que tá preocupando o governo e que é uma coisa que eu já fiz duas reuniões para ver se a gente consegue encontrar uma solução.”
Acrescentou: “Há várias razões para a subida do preço dos alimentos. Primeiro, a subida do dólar contribui para aumentar o preço da carne; contribui para aumentar o preço da soja; contribui para aumentar o preço do milho; e, de outros produtos que nós exportamos. Mas, também, nós temos que lembrar, sabe, o fogo. Nós temos que lembrar o calor, a falta de chuva e o excesso de chuva. Tudo isso contribui pra gente produzir mais ou produzir menos.”
Os preços de produtos agrícolas exportáveis — como carne, soja e milho, entre outros — são definidos nas bolsas internacionais de mercadorias. E os eventos climáticos drásticos se tornaram constantes.
Com essas ressalvas à responsabilidade do governo, Lula, então, remeteu a culpa a quem compra e vende alimentos — consumidores, produtores e comerciantes: “Tem, também, a capacidade de compra do povo. Na hora que há um aumento na demanda, ou seja, na hora que o povo pode comprar mais, na verdade, os vendedores aumentam os preços.”
“A gente corre o risco de ter uma inflação”, completou, “e a gente não quer ter inflação, porque quem paga com a inflação é você, é o trabalhador, é aquele que vai no supermercado comprar comida.”

Como Lula sabe, não é novidade no seu governo. Ela está aí há pelo menos quinze meses, e avançando. Em março do ano passado, por exemplo, ele anunciou numa reunião ministerial medidas para “barateamento dos alimentos”, como “incentivos” à produção de trigo, milho, mandioca, feijão e até a “desconcentração” do plantio de arroz dos campos do Sul para as terras do Centro-Oeste, com o argumento de redução dos custos de transporte das mercadorias.
Nada aconteceu, e 2024 terminou com os preços dos alimentos 7,9% mais altos em comparação com 2023, informou o IBGE nesta segunda-feira (27/1). O nível de aumento do custo para consumidores no Brasil foi quase o dobro do registrado em países como México, Chile e Colômbia.

Em várias capitais o aumento dos preços da cesta básica familiar de alimentos ficou bem acima da média nacional. O Dieese, organismo independente que Lula ajudou a criar nas batalhas sindicais por recuperação salarial dos anos 1970, mapeou oscilações entre 8,50%, em Vitória, e 11,91% em João Pessoa.
Em dezembro, o custo de uma cesta básica em nove cidades consumia mais de 55% de um salário mínimo líquido, depois dos descontos tributários. Em São Paulo, famílias gataram 64,4% de um salário mínimo líquido para comprar uma cesta básica.
O peso desse aumento nos preços dos alimentos nos gastos familiares é maior no orçamento do eleitorado mais pobre, que começou o ano com uma visão mais crítica do governo. É o que sugere pesquisa do instituto Quaest feita na semana passada com 4,5 mil eleitores em 250 municípios.
A avaliação de Lula piora no Nordeste, seu principal reduto eleitoral. A percepção negativa sobre seu desempenho na administração do país aumentou 11 pontos percentuais (de 26% para 37%) em apenas quatro meses, no período de outubro a janeiro. Aparentemente, eles discordam de Lula: acham que o governo, de alguma forma, é responsável pela inflação que está aí, e aumentando.
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A articulação para mudar quem define o teto de jur…
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10 meses atrásem
5 de maio de 2025Nicholas Shores
O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN).
A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica.
Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.
A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira.
Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.
Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios.
Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.
A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.
Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.
Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.
Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.
Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.
Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.
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